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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um Estudo sobre Celso Furtado


Vários definem Celso Furtado como sendo um teórico desenvolvimentista de herança Keynesiana. De fato, ele defendia a tese keynesiana de um estado intervencionista como sendo algo necessário e fundamental para que a economia supere o seu estado de subdesenvolvimento por meio da industrialização. Ou seja, ela ia contra a teoria ortodoxa liberal, de o Brasil ser um país agrário-exportador que vive uma fase, um estágio evolutivo, e que iria evoluir, conforme o país adotasse o modelo liberal de desenvolvimento – aquele adotado pelos países centrais –, gradativamente e assim, o país iria superar esse estágio e alcançar o seu estágio desenvolvido, eis a base do conceito de país em desenvolvimento.

Furtado ia totalmente contra esse conceito de etapas e país em desenvolvimento, a questão chave para ele estava na inserção atrasada que o Brasil e os países da America Latina tiveram na etapa evolutiva na qual se encontrava o capitalismo e logo, jamais poderiam alcançar os países centrais adotando o mesmo modelo deles. Era, portanto, estritamente necessária à presença do Estado como agente regulador e único capaz de direcionar o capital estrangeiro – necessário, pois o capital nacional era insuficiente e fraco, para financiar os investimentos em escala que eram necessários para que o país desse o chamado “salto”– rumo ao desenvolvimento industrial da economia nacional. Para ele o país não poderia ter sua dinâmica ditada por agentes externos.

Entre suas obras mais importantes citam-se a "Formação Econômica do Brasil" e "Desenvolvimento e Subdesenvolvimento". Na "Formação Econômica do Brasil" ele “dissecou” toda a evolução do crescimento da economia brasileira, sendo a sua mais renomada obra, é nela que ele, melhor do que qualquer outro estudioso – pode-se citar Caio Prado Jr. e Roberto Simonsen que na mesma época fizeram obras semelhantes à de Furtado – reúne toda a evolução da economia brasileira de forma histórica e coesa, aonde todas as etapas desde a era colonial até a industrialização por substituição de importações, são explicadas de forma que se pode visualizar toda a dinâmica desse processo pelo qual o país passou.

É nessa obra que ele faz sua mais importante contribuição para o entendimento da evolução econômica brasileira e de sua industrialização: a dinâmica do café. É pelo entendimento de como essa dinâmica do café que Furtado vai compreender como se deu o inicio do processo de evolução urbano-industrial nacional, desde a industria marginal que se formava para suprir as necessidades da industria cafeeira até o inicio de um processo de acumulação que se foi alcançado durante as varias crises de superprodução deste produto, chegando a um ponto em que essa acumulação tornou possível a industrial tomar posse da dinâmica econômica do país. Levando-se e conta claro, a participação ativa do Estado durante todo esse processo, como defensor da economia cafeeira até incentivador do desenvolvimento urbano-industrial.

É pela abordagem dada ao processo evolutivo da economia brasileira em sua obra que se observa sua herança keynesiana e sua forma de análise teórica baseada no método histórico-indutivo, no qual por meio da análise histórica de uma nação se fazia as indagações e disso se tiravam às conclusões e tentava-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento que levasse a economia a superar o seu estado de subdesenvolvimento. Outro fator que se deve levar em conta é a influência que seu estudo teve.

A "Formação Economia do Brasil" era para ser um texto introdutório que iria ser apenas um esboço histórico do processo evolutivo brasileiro. Ele elaborou esse “esboço” em Cambridge, no auge do pensamento Keynesiano, e logicamente, teve grande influência de pensadores keynesianos. Citam-se entre ele Kaldor e seu modelo de desenvolvimento keynesiano que dava ênfase à distribuição de renda, tema esse amplamente abordado por Furtado ao estudar o desenvolvimento brasileiro já que em vários momentos ele aponta para as diferenças sócias no nordeste e nas diferenças entre cidade e campo.

E pode se citar também Joan Robinson que teve grande influencia teórica sobre Furtado, seus conceitos eclético-keynesianos como descrevem alguns estudiosos foram utilizados por Furtado em suas análises, na qual ele rejeitava a teoria de valor-trabalho e os conceitos clássicos básicos. Porém ao mesmo tempo Furtado tentava se manter neutro entre as escolas ortodoxas (neoclássicas) e as heterodoxas (marxistas), pois sua inserção política no Brasil, de certa forma, exigia essa neutralidade, se quisesse que suas idéias desenvolvimentistas fossem aplicadas, ele não poderia ser visto como um comunista jamais, e a tese keynesiana caminha por essa escola em certos pontos.
* Texto escrito por Gabriel Eid

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pequenos atos - Grandes Homens - Juca Kfouri - 2/20

José Carlos Amaral Kfouri, o famoso Juca Kfouri, um dos mais importante jornalista esportico do Brasil. Juca cursou Ciências Sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Trabalhos na Editora Abril, chegou em 1974 a ser chefe de departamento. Em 1974, recebeu o convite para ser chefe de reportagem da revista Placar, saiu para trabalhar na extinta TV Tupi. Mas, logo menos a TV Tupi faliu e no dia seguinte, Jairo Regis convidou para ser editor de projetos especiais na Placar, novamente. Passado algum tempo mudou de cargo e chegou a ocupar o cargo de Diretor de redação da revista. Até o dia que saiu da editora, Juca iria apresentar denúncias contra Eduardo José Farah e Ricardo Teixeira,. Mas devido o poder político e de alguns negócios da Editora que precisava de apoio dos dirigentes, se viu em um ambiente desgastado, então deixou a diretoria da redação da revista e a editora.

Juca sempre seguiu seus princípios, um exemplo de homem público. Tomou sempre um posicionamento frente as situações de forma correta e seguindo uma posição sempre justa e correta, faltam homens como Juca kfouri no Brasil. Um homem que transparece as questões como ética, moral e respeito, a imagem de pessoa séria e justo, fez ele receber o apelido de “O paladino da moral”, mas ele não acredita nisso, diz ele que “Que paladino coisa nenhuma! São as pessoas que fazem isso. Você me vê defender posições, meus princípios.” Juca. Poucos homens transparecem tais princípios. Homens assim a tentação nem da as caras, ser firme e feroz como Juca, pode se ganhar muitos inimigos ocultos.

Devemos nos espelhar em homens como o jornalista que luta contra a ignorância, não se curva diante os poderosos, pois sabe que sua consciência não estará tranqüila se estiver fazendo algo de errado. Todos nós erramos, mas, poucos admitem o erro, Juca faz isso e não sofre, pois esta seguindo aquilo que acredita que está correto, poucos seguem estes princípios. Juca é um destes casos que enfrenta sem medo aqueles que ferem os códigos sociais e democráticos. Faz isso simplesmente porque acredita que é seu dever sua obrigação como homem público e jornalista. O Brasil precisa de homens assim na política, nos órgão do governo, e em diversos setores da economia brasileira. Faltam pessoas assim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pequenos Atos - Grandes Homens - William Bonner - 1/20



Willian Bonner desde 1999 anos a frente ao Jornal Nacional, como Editor Chefe. Traz todos os dias as notícias que são destaque no Brasil e no Mundo. Um homem digno do cargo de editor chefe. Após sua entrevista com Marília Gabriela fica mais fácil tornar-se um admirador de um homem sensato, digno e fiel aos seus pensamentos sociais e políticos. O trabalho é diário e incessante frente ao jornal de maior repercussão do país. Bonner lançou este ano o seu livro, “Jornal Nacional – Modo de Fazer”, que retrata o dia a dia das edições, detalhando os critérios e como funciona o trabalho incessante dos jornalistas e da equipe por trás das câmeras.

“ O livro mostra como o Jornal Nacional é feito no dia-a-dia, suas edições típicas e as atípicas, os critérios que usamos e como funciona. Para quem é estudante de jornalismo é muito interessante, e para quem é leigo tem um certo didatismo que poderá ser útil” explica Bonner.

Mas, o ato que devemos lembrar deste jornalista, que entra na nossa casa de segunda a sábado, é algo que destaca o exemplo de lealdade e nobreza. Algo que vemos pouco num país tão maltratado pelos seus políticos e capitalistas poderosos, que pensam somente em roubar e ganhar cada vez mais. Willian Bonner doou todos os direitos autorais para a Universidade de São Paulo, a famosa USP. Bonner que se formou em Jornalismo no início da década de 80. Fez este ato, pois sabe da importância que a faculdade e seus mestres tiveram na sua construção como profissional. Bonner não pagou para fazer USP, mas se sentia em dívida com a faculdade que o projetou como jornalista.

Espero que muitos comecem a pensar parecido, e façam o mesmo. Fomentar e ajudar o crescimento do país pode ser feito com pequenos atos. Ajudando a sociedade a caminhar para tempos mais dignos e mais iguais. Bonner fez um ato de pura nobreza. Alguns podem dizer que foi apenas marketing pessoal, ou coisa parecida, pode ser, mas converse ou escute 10 minutos de uma entrevista deste ícone da televisão nacional, que notamos que há essência e a veracidade nas suas palavras, enobrecendo ainda mais este cidadão, que devemos levar como exemplo assim como muitos outros, que no caso do Brasil estão em extinção.

Esta é uma serie de 20 reportagens que selecionaremos grandes homens da nossa sociedade atual e seus atos que mudaram ou introduziram temas e discussões.