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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

BOLSA DE VALORES: Bolsas da Ásia sobem com menos temores em relação à Europa

As Bolsas de Valores asiáticas nesta sexta-feira atingiram novas máximas em dois meses, o crescimento das negociações dos títulos na zona do euro e sinais de acordo da dívida Grega aliviou as preocupações sobre o mercado Europeu. Dessa forma impulsionando o mercado.

Com isso e os resultados positivos dos bancos americanos da confirmação que a economia americana irá se recuperar, ajudaram bastante a melhora dos mercados, e em 2012 temos um crescimento muito interessante.

Mesmo assim vale ressaltar, que estão de olho agora sobre o setor manufatureiro chines que em Janeiro reduziu a sua produção já que a crise de dívida da zona do euro afetou o consumo global. Os risco de mais choques provenientes da Europa fez com que o mercado produtor chinês reduzisse sua produção.

"O índice MSCI das ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão subia 0,61%, alcançando o maior patamar em mais de dois meses e registrando alta pelo quarto pregão e pela terceira semana consecutiva. Só neste ano, o índice acumula ganho de cerca de 7,5%.

Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 1,47%, para a máxima em 11 semanas, seguindo o rali das bolsas de Nova York, que foi incentivado por resultados trimestrais acima do esperado divulgados pelo Morgan Stanley e o Bank of America.

O índice de Seul encerrou em alta de 1,82%. O mercado avançou 0,84% em Hong Kong e a Bolsa de Taiwan ganhou 0,17%, enquanto o índice referencial de Xangai subiu 1%. Cingapura avançou 1,36% e Sydney fechou com valorização de 0,59%." (Por Chikako Mogi) agencia de notícia: REUTERS.

Essa onda de crescimento deve ser notada hoje na BOVESPA. Fique atento!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A taxa de juros e suas conseqüências econômicas


O Mercado financeiro prevê que a taxa Selic irá sair dos atuais 11,75% para 12,5%. Um aumento de 0,75%. Com essa alteração o país se mantém na posição, entre os países com economia de peso, da maior taxa de juros.

A justificativa dada, pelo Banco Central, para este aumento é o controle da inflação, já que o crédito é encarecido, a base monetária é encolhida, segurando, desta forma, a demanda e por fim o aumento dos preços. Mas o que isso acarreta para nossa economia

A taxa de juros apresenta mais conseqüências para a economia, além do controle da inflação. De acordo com John Keynes, a decisão de investimento produtivo dos empresários capitalistas está ligada à taxa de juros, somado às incertezas sobre o futuro por parte dos empresários (“Animal Spirits”). Em poucas palavras, um aumento da taxa de juros torna o crédito mais caro, inibindo desta maneira não apenas o consumo mais o investimento produtivo, o crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo, da capacidade ociosa na economia (está que é essencial para que a oferta se mantenha sempre à frente da demanda, impedindo o surgimento de surtos inflacionários) e por conseqüência o crescimento da renda do emprego.

Neste cenário o investimento financeiro, compra de títulos é estimulado, pois é um investimento que envolve menos riscos, incertezas, para o capitalista do que o investimento produtivo. Quando os juros se elevam, a taxa de retorno de um título se torna mais próxima ao retorno de um investimento produtivo, isso somado as incertezas do investimento produtivo faz com que ocorra uma queda no nível de investimento produtivo (por exemplo, a ampliação de uma planta fabril), isso ocasiona queda da atividade econômica, do crescimento da renda e emprego. Em contrapartida um taxa de juros baixo estimula o empresariado a realizar o investimento produtivo, que geram renda e emprego.

No caso brasileiro, zero setenta e cinco a mais na taxa de juros impacta diretamente o custo de financiamento da divida pública. Cada 0,75 ponto percentual a mais em uma dívida de R$ 1,2 trilhão, representa um custo anual de R$ 9 bilhões de pagamento de juros anual. Isso levando em conta que mais da metade da divida é formada de títulos pós-fixados, sendo diretamente influenciados pelos juros da Selic, e outro tanto é pré-fixada, mas acaba incorporando o aumento em cada renovação no vencimento dos títulos.

Outro impacto desfavorável é sobre a taxa de câmbio. Isso porque o aumento da diferença entre o juro doméstico e o juro internacional aumenta o espaço para operações de arbitragem cambial, o que vai ampliar a já grave valorização do real, com todos os impactos deletérios para a Balança Comercial.

Outro estrago de um juro mais elevado é sobre as decisões de compra e de investimentos. Sem necessidade provoca-se uma reversão das expectativas positivas, fazendo com que consumidores adiem decisões de consumo e empresários posterguem decisões de investimentos, como foi abordado no início deste trabalho.

Ou seja, se o argumento do aumento da taxa de juros foi mesmo do risco da inflação, então a decisão tomada tende a provocar o efeito exatamente contrário no longo prazo. Isso porque desestimula investimentos, que seria a verdadeira arma para garantir que a oferta corra à frente da demanda e, portanto, evite pressões inflacionárias futuras.

A elevação dos juros além do desestimulo ao investimento produtivo também acarreta em problemas para os gastos sociais, muitos recursos públicos tem de ser utilizados para o pagamento de juros, podemos notar que o pagamento de juros no Brasil teve um aumento de 400% em 11 anos, enquanto os gastos com educação e saúde se mantiveram praticamente estáticos. O juro elevado faz com que as políticas fiscais e sociais do governo fiquem subordinadas à política monetária, o pagamento dos juros se torna a prioridade, já que o descumprimento deste poderia acarretar em grave desconfiança, gerando fugas de capital, colocando em risco a estabilidade econômica.

A política monetária, via ajuste dos juros para o controle da inflação, representa um grande entrava para o investimento produtivo e os gastos sociais. Subordina todas as outras políticas econômicas à política monetária. Agravando os problemas sociais já existentes, impedindo o investimento produtivo, não apenas a demanda, a criação de renda e emprego.

A política de aumento dos juros é extremamente eficaz e rápida para o controle da inflação, todavia pune todos os setores da sociedade, tanto os setores que estavam gerando inflação, quando os que não estavam.

“Uma política de elevação da taxa de juros, como proposta pela regra convencional de disciplina da política monetária, não possui um mecanismo de diferenciação entre as firmas e trabalhadores que estão gerando inflação e aqueles que estão tendo um comportamento compatível com a estabilidade de preços. Muitas firmas inocentes (isto é, aquelas que não realizaram aumento de preços) não resistem aos elevados custos financeiros e a fraca demanda e entram em processo de falência, demitindo muitos trabalhadores, que ficam involuntariamente desempregados. A política de elevação dos juros utiliza-se da tática de provocar um resfriamento geral da economia, (...). A política antiinflacionária de elevação do juros derruba a inflação. Entretanto, condena a economia a um estado de semi-resfriamento permanente com altas taxas de desprego e baixas taxas de investimento (em média).”

Uma alternativa a essa política seria identificar os setores que são responsáveis pela inflação e agir com políticas focalizadas especificas para estes setores. Primeira identifica-se a causa da inflação e depois se realiza uma política especifica para combater essa causa ( Exemplo de causas inflacionárias: alta carga tributária em determinado setor, que poderia ser reduzida; falta de algum insumo, que poderia ser combatido com o barateamento da importação desse recurso; economia extremamente oligopolizada dando as empresas poder se decisão de preços; elevação salarial devido a reivindicações de trabalhadores, que acarretaram em um aumento de custos; entre outros). O modelo utilizado pelo Banco Central brasileiro de combate à inflação via exclusivamente ao aumento do juros acata somente sintomas da inflação ( a elevação dos preços) e não as suas verdadeira causas que foram citadas a pouco). Com políticas especificas para o combate inflacionário a economia e sociedade não seriam afetadas com um todo com um todo. Sem descriminação.

Bibliografia:
Sicsú, João. Políticas Não-Monetárias de Controle da Inflação: uma proposta pós-keynesiana. Revista Análise Econômica, ano 21, nº. 39.

Fredercio Matias Bacic - BLOG ECONOMIDIANDO - http://economidiando.blogspot.com/2011/03/taxa-de-juros-e-suas-consequencias.html

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Calote em Dubai transforma os países emergentes em “porto seguro” diz Financial Times.


O jornal britânico “Financial Times” trás nesta terça-feira uma reportagem dizendo que agora os países emergentes são os “portos seguros” do mercado financeiro. Os investidores buscam os títulos de países como Brasil para conseguir manter suas reservas devido a crise gerada em Dubai. De uma hora para outra inverteu uma situação já a muito tempo vista, a famosa fuga de capitais para os países desenvolvidos, desta vez os investidores quebraram a antiga regra, motivados pela suspensão de pagamentos do Emirados Árabes. O artigo trás a observação de que: ”Os títulos de países emergentes, como China e Brasil, têm visto entradas de investimentos na medida em que são considerados pelos investidores como portos seguros dada a saúde de suas finanças públicas." Desta forma observa-se uma mudança global no dinâmica da economia.

Agora os países, antes voláteis a sucessivas crises econômicas, passaram a ser o ponto de estabilidade do jogo financeiro, este movimento muito pelo fato do baixo nível de endividamento e gerenciamento econômico prudente. Combateram a crise com muito mais eficiência que as nações ricas, também muitos deles já estão em crise a décadas, esta foi apenas mais uma marolinha pra quem esta se afogando faz tempo. Sem investimentos de longo prazo, sem endividamento público, sem um estado atuante e regulador, a República das Bananas, o Brasil, agora passa a ser ponto de estabilidade. O Mercado financeiro tem memória curta mesmo, e os investidores esqueceram que aqui falta infra-estrutura básica. É só voltar algumas semanas no tempo, e relembrar das 8 horas de escuridão que assolou o Brasil. O Brasil não investe mas tem entrada de altos volumes de capital. O endividamento público é de 45% do PIB, mas e a sociedade? Está falida a décadas, leis que não tem valor, o entra e sai dos capitais, as oportunidades de crescimento poderiam ser melhores aproveitadas, mas mesmo assim comemoramos a estabilidade. Aqui na verdade nada mudou, o que mudou foi lá nos países desenvolvidos, continuamos na mesma batida a quase 30 anos. Agora ser chamado de “porto seguro”, não concordo.
Na Minha opinião: eles destruirão seus portos e tocarão fogo no próprio estaleiro. Os países emergentes com seus velhos portos de lama, pau-a-pique e geradores a gasolina foram os únicos lugares que encontraram para aportar seus transatlânticos de capital. O Brasil pode vir a crescer com esse fato, mas sem uma política pública de incentivo a indústria nacional e um plano de industrialização decente, sempre ficará nesta mesma badalada esperando que o mercado externo olhe para o Brasil e venha correndo dizendo que é um porto seguro. Também sem leis, sem regras e sem comando digno, é mesmo a República das Bananas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ações: Mercado em Expansão


O investimento em ações tem se tornado uma opção cada vez mais rentável no Brasil. Os retornos obtidos superam na maior parte do tempo os de renda fixa. Aproximadamente 40 anos atrás, quando a Bovespa foi fundada, seu índice tinha base de 100 pontos, sendo que hoje ele está próximo dos 67mil. Apesar disso, o investidor comum ainda possui uma participação muito baixa nesse mercado, se comparado aos de países em que a prática é comum há mais tempo. Acredito que isso ocorre por dois motivos: o primeiro é o fato de muitas empresas não possuírem uma política transparente junto ao investidor, no sentido de apresentar regularmente os resultados obtidos, investimentos feitos, compromissos a serem cumpridos; o segundo é a falta de informação sobre o mercado, as formas de se investir, como agir perante as oscilações do mercado.
Atualmente a Bovespa toma algumas medidas para resolver os dois problemas citados acima. Foi criado o Nível 1 e 2 de governança, além do Novo Mercado. O que nada mais é do que a criação de níveis de governança coorporativa, ou seja, quando uma empresa optar por abrir capital em algum deles, estará sujeita a maiores cobranças e obrigações. O Novo Mercado, por exemplo, impõem aos participantes exposições claras e frequentes de seus balanços, além de aumentar a participação dos pequenos acionistas no papel da empresa, com a eliminação das ações preferenciais, entre outras regras encontradas no site da própria Bovespa (http://www.bovespa.com.br/). As grandes empresas que abriram capital recentemente estão aderindo à nova prática, já que ela permite que o pequeno investidor tenha maior confiança nela. Isso porque diminui consideravelmente as possibilidades de fraudes e consequentemente diminui a insegurança na compra do papel.

Porém, o maior obstáculo da Bovespa talvez seja a mudança de hábito do brasileiro quanto ao investimento. No país, não há um hábito das pessoas em poupar, já que existe grande número de impostos a ser pago, além de gastos básicos que muitas vezes não são oferecidos pelo governo, seja em saúde ou educação. O pouco que sobra é gasto em bens supérfluos, como celulares ou cosméticos (mercados em grande expansão). Poucas pessoas escolhem investir parte do salário, e se o fazem, preferem investimentos teoricamente mais seguros, como a poupança. Para mudar essa realidade, a Bovespa criou um programa de visita as escolas e empresas, para mostrar os benefícios do investimento em ações. Outra mudança importante, que só foi possível com o surgimento da internet, foi o Homebroker, que permite o investidor controlar seus investimentos dentro de sua própria casa ou trabalho. Apesar dos novos esforços, o Brasil está muito longe de países como os EUA, onde grande parte das pessoas investe seu dinheiro em renda variável, desde clubes de investimentos até fundos de diversos tipos.

Possivelmente, com o sucesso do Novo Mercado e uma mudança gradual de pensamento, a Bovespa conseguirá se tornar mais forte e consistente. Porém, vale a pena lembrar o pequeno investidor que sempre há um risco nesse tipo de investimento. Para evitar muitos deles é necessário estudar sobre o assunto antes de investir ou, se não tiver tempo, realizá-lo através de alguém capacitado. Na última década surgiram muitas empresas especializadas em cursos de análise técnica e fundamentalista (técnicas mais utilizadas por analistas do ramo) ou até mesmo corretoras que disponibilizam informações sobre essas opções. A própria Bovespa ministra cursos do tipo, com o objetivo de trazer novos interessados para esse tipo de investimento ou mesmo tornar mais gabaritados os já existentes.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dia das Bruxas Antecipado no Mercado Financeiro


Com o dia das bruxas se aproximando o que vimos esta semana foi uma verdadeira traquinagem do mercado financeiro. Apesar do cenário internacional estar se apresentando de modo positivo, como no caso do Japão já anunciando o fim das medidas anti-crise, a França divulgando sua expectativa otimista perante sua economia neste terceiro trimestre, a bolsa brasileira não conseguiu manter-se estável durante esta semana.

Com altas de quase 6% e quedas de quase 5%, a Bovespa se mostrou ainda vítima dos especuladores. Estes pareciam não terem recebido seu "doce", pelo contrário, uma parte dele lhes foi tirada com a taxação do IOF - já explicado anteriormente em outros posts. O investidor expeculativo pareceu querer "pregar uma peça", então, no mercado financeiro, como aquela que as crianças fazem no dia das bruxas. E, parece ter dado certo até agora. A medida de taxação do governo pareceu não surtir efeito, mesmo apesar de todo um escândalo gerado sobre o assunto.
Se for feita uma análise mais detalhada, nem poderia. Colocando-se na balança a taxa que se está cobrando com os lucros tidos em renda fixa (titulos do próprio governo) teriamos uma taxa aproximada de ganho de 30% já somada este ano (selic + variação cambial). Ao ponto que se este mesmo capital estivesse atrelado a renda variável (bovespa + variação cambial) este valor ultrapassaria as taxas de 80%. Então, 2% faria alguma diferença para este investidor? Acredito que não.
Isto mostra que o país ainda é muito vulnerável. Qualquer tipo de notícia influência fortemente as bases do mercado e consequentemente da economia. Ainda que, como apresentei, alguns países tenham mostrado resultados positivos, várias empresas (principalmente norte-americanas) não se mostraram favoráveis a ter um bom fim de ano, como no caso da Alcatel-Lucent que acumula 12 prejuízos consecutivos. Mesmo assim, muitas ainda esperam que este fim de ano seja melhor favorável as vendas.
Outras datas comemorativas ainda estão por vir. Nos EUA, por exemplo, o Halloween, é a segunda maior data de consumo do país (perdendo apenas para o natal). Apesar de serem datas das quais o que realmente deveria importar é a história e tradição que com elas trazem, acabaram tratando-se de datas praticamente consumistas nas quais o habito do consumo se tornou tão intrínseco e necessário que passam a ser partes importantes do planejamento de venda das empresas.
Sendo assim, devemos nos utilizar deste ponto fraco dos consumidores para estimular o crescimento do capital produtivo. Fazendo isto, espera-se que sejam criadas "barreiras invisíveis" contra as bruxas do mercado financeiro, que tornam a economia vulnerável as ocilações internacionais. Uma tarefa ainda difícil de ser realizada já que comparado aos outros países do mundo, aqui, ainda, se encontra uma das maiores taxas de juros (hoje 8,75%aa) contra taxas quase zero de países como Japão.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Taxação do Capital Estrangeiro: Medida Certa de Argumentos Errados


Como divulgado pela mídia, nesta terça-feira (20/10) entrou em vigor a medida de taxação do capital estrangeiro nos investimentos de renda fixa e na bolsa de valores. Como outras medidas, esta, não deixou de ser alvo de críticas de especialistas sobre sua eficácia naquilo em que propunha - conter a variação do câmbio.

De acordo com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) seria reduzir o fluxo de capital estrangeiro especulativo no país com a finalidade de regular as variações do câmbio - este já registra uma variação de valorização de 25% em relação ao dólar. Desta forma, o capital de curto prazo (caracterizado como sendo o especulativo) sofreria a taxação de forma mais punitiva que o de longo prazo, uma vez que, no longo prazo, esta alíquota seria diluída ao passar do tempo.

Porém, analistas de mercado advertem que o IOF não seria eficiente para segurar as oscilações cambiais (baixo valor de taxa) e ainda, caso se mostre eficaz, poderia fazer com que as empresas de capital aberto passassem a apresentar prejuízos devido à fuga de capitais do mercado nacional.

Por outro lado, o jornal britânico Financial Times publicou em sua edição desta quinta-feira que apóia a decisão do governo brasileiro. O jornal afirma que o país está sendo "sábio... antes que seja tarde demais". Fazendo uma análise, os editores da reportagem afirmam que "cada vez mais, o capital que entra no Brasil é por meio de carteiras de investimento em vez de investimento direto externo (IDE)".

Os dados apontam que em Agosto deste ano um valor inferior à metade do valor do ano anterior em capital estrangeiro foi de IDEs enquanto os fluxos de carteiras de investimento mais que duplicaram no mesmo período. Deste modo, como colocado pelo jornal britânico, a medida brasileira de taxação do capital estrangeiro deveria ser argumentada a favor do corte de fluxos especulativos, que significam uma menor propensão à formação de possíveis bolhas especulativas.

Analisando com mais cuidado a medida, vemos que o investidor realmente "prejudicado" é o de investimento especulativo (curto prazo). A taxação não atinge aquele que deseje fazer um investimento direto no país. Além disso, não pode ser tratada como uma taxa "injusta" ou "desleal", como ocorreu no caso da Malásia, pois de modo claro, trata-se de uma taxação no momento em que o capital entra no país e não em sua saída.

Um reflexo da medida pode ser observado ainda esta semana com a queda bruta da Bovespa em mais de 2% após alguns dias de altas seguidas, juntamente com uma leve alta do dólar. Porém, seqüencialmente, a bolsa voltou a subir e se estabilizar, assim como o dólar.

Deste modo, vemos que a medida de taxação em 2% do capital rentista fixo e em carteiras de investimento aparece de modo inteligente, porém com justificativas erradas. Certamente, a vulnerabilidade de países emergentes, como o Brasil, é muito maior e mais propícia a bolhas especulativas. Nesse sentido, medidas sutis de caráter regulatório do capital estrangeiro devem ou podem ser realizadas visando evitar problemas especulativos. Acreditar que com isso se conseguirá realizar um controle cambial seria falho. A algum tempo, o país vem se mostrando concreto suficiente para despertar interesses internacionais de investimento, e este processo que tem proporcionado o fortalecimento do real perante ao dólar.

O que resta ao país agora, como colocado pelo Financial Times, é aprender a "viver com um real mais forte" e que tal medida "não altera este fato mais ajuda a mantê-lo sob controle".

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Taxação do Capital Estrangeiro


Um assunto discutido por todos os economistas nos últimos anos é o grande volume de capital estrangeiro que entra no Brasil desde a abertura comercial do início da década de 90. Sabemos que grande parte desse investimento entra no país atraído pelos altos juros que exercemos. Isso faz com que o interesse produtivo seja cada vez menor e a especulação se torne cada vez mais atrativa. Dados apresentados pelo jornal folha de São Paulo, em reportagem do dia 17/10, mostram que o montante de capital estrangeiro atraído pela especulação soma pouco mais de meio bilhão de reais entre março e agosto deste ano.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje uma medida que tem por objetivo diminuir o atrativo desse tipo de capital. O Governo fará a taxação de qualquer operação de crédito, seguro, câmbio ou até mesmo em títulos de valores mobiliários no momento de sua entrada em 2%, através do Imposto sobre Movimentações Financeiras (IOF). Não haverá cobrança do imposto na saída e não ocorrerá o mesmo caso a entrada de capital seja para investimento produtivo. A medida provisória entrará em vigor amanhã, com o registro no Diário Oficial da União.


Mantega afirmou que o objetivo da medida é evitar o excesso de liquidez e especulações exageradas. Além disso, existe também a intenção de frear a valorização do Real perante o Dólar, que foi acentuada com a entrada de cerca de 20 bolhões de reais na bolsa de valores desde o início do ano. Apesar das intenções, dificilmente haverá sucesso a médio/longo prazo. Isso porque, não é apenas a simples entrada de capital especulativo que está gerando essa valorização. E sim, o cenário macroeconômico mundial, como afirma o economista-chefe do WestLB, Roberto Padovani: "Os fundamentos econômicos sugerem apreciação do real, com as commodities subindo e o dólar globalmente se enfraquecendo". O economista faz a crítica por já estar provado que, historicamente, medidas administrativas não influenciam o câmbio. Isso ocorre apenas no curto prazo, pelo fato dos investidores estarem inseguros sobre o rumo que as regras de investimento no país tomarão.


Concordo com Roberto e vou um pouco mais longe. Se as políticas cambiais, fiscais e monetárias adotadas pelo país nos últimos anos não sofrerem mudanças, a tendência é de que o capital especulativo continue entrando livremente. Há anos o Brasil se preocupa apenas com pagamentos de juros da dívida e com a manutenção das metas de inflação estabelecidas. Para isso, mantém a taxa básica de juros alta, procura sempre gerar superávit, além de manter o câmbio flutuante. O investimento só se tornará produtivo se incentivos forem dados aos investidores, como já comentado em textos anteriores. Primeiramente, os juros devem ser mais baixos, para não serem tão atrativos a especulação. Além disso, o investimento do governo em setores de base e estratégicos da economia deve ser realizados, para dar confiança ao empresário e suporte para potenciais investidores, mesmo nacionais. Uma economia mais consistente seria competitiva no mercado externo, o que proporcionaria o aumento das exportações. Nesse cenário, o câmbio se desvalorizaria naturalmente.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Céu é o limite



A quantos mil pontos, você leitor, imagina que nossa bolsa de valores, que um dia, ano de 2002, possuía índices na casa dos 8mil pontos e hoje, está em patamares de 60mil pontos, imagina que estará nossa Bovespa nos próximos 5 ou 6 anos? Imagine-se ainda, em um cenário otimista. Índices de 100mil, talvez 150mil pontos parecem razoáveis. Não é o que aponta o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria que espera que em 2015 esse índice atinja o patamar de 200 a 250mil pontos. "Estamos vivendo um ciclo muito parecido com o que foi o de 2002 a 2008, que fez a bolsa saltar de 8 mil para 73 mil pontos graças ao 'boom' de commodities", diz Amorin.

O que impulsionou o Brasil neste período foi claramente a valorização das commodities que com preços elevados e com o aparecimento do mercado consumidor chinês a partir do ano de 2001 proporcionou ao país um grande volume de exportações. Esse saldo comercial positivo permitiu que o câmbio se valorizasse e assim o combate a inflação se tornasse mais fácil, permitindo então, como conseqüência, uma queda das taxas de juros.

Ainda que este ciclo tenha sido quebrado com a crise financeira global dos últimos anos, como já apresentado no dia 22 de Setembro no artigo de título "P
ra Frente Brasil! Brasil!", o país se mostrou forte o suficiente sendo um dos primeiros a receber notas de graduação em investimento. Além disso, saindo da recessão técnica, países emergentes voltaram com força total, enquanto para os países desenvolvidos espera-se que haja apenas uma recuperação "medíocre", nas palavras de Amorin.

Esse otimismo se destaca principalmente pelo padrão de consumo que podemos observar neste novo ciclo de crescimento (de hoje até 2015). Anteriormente, países emergentes eram vistos somente como produtor, o que os deixava extremamente vulneráveis as economias desenvolvidas. Hoje, o que se observa é que além de grandes produtores, os emergentes, também estão se tornando grandes consumidores - destaque especial a China e Índia. Deste modo, o consumo deixa de ser de alta renda para o consumo de massas.

No Brasil, o que se pode observar não é diferente de outros países emergentes. Os fortes superávits comerciais devem ser intensificados com a baixa dos juros que por conseqüência gera maior expansão do crédito e assim novos investimentos. "Há uma grande probabilidade de vermos a bolsa caminhar para 200 mil a 250 mil pontos em cinco anos", diz ainda o presidente da Ricam.

Ainda assim, o economista faz uma ressalva dizendo que pode haver realização de lucro no curto prazo, podendo trazer a Bovespa a quedas de 20% nos próximos 3 meses. Ou seja, "No curto prazo, a bolsa brasileira tende a acompanhar o mercado lá fora e isso vale mais para o lado negativo".

Pensando em que realmente exista essa valorização para mais de 200mil pontos da Bovespa, deve se atentar para alguns cuidados que o Estado deve ter ao permitir que o capital internacional entre no país. Como colocado por Fábio Biral em "
Disparidade Econômica" dia 28 de Setembro, deve se ter o cuidado de direcionar este capital financeiro para as empresas produtivas a fim de se evitar possíveis bolhas especulativas que possam levar a economia para uma recessão. Historicamente, na década de 90, o Brasil se tornou um mercado favorável para o capital rentista. Tendo isto então em vista, deve se estudar e planejar possíveis formas de não permitir que este tipo de capital volte a dominar a estrutura de financiamento do país e para que haja investimentos em setores produtivos de modo a transformar a estrutura exportadora de commodities em uma economia que exporte maior valor agregado, sem depender então de apenas uma pauta de exportação e das influências internacionais (como atualmente com o aumento dos preços das commodities).

Podemos ver como possível a expectativa de Ricardo Amorin quanto ao Ibove próximo dos 200 a 250mil pontos. Observando-se e comparando os índices da S&P 500 com o Ibovespa, temos que enquanto o índice da bolsa norte-americana teve um desempenho negativo de 28,58% desde 2000, o brasileiro, no caminho oposto, apresentou uma melhora de 244,43%. Deste modo, "Olhando para o longo prazo, a bolsa ainda está barata." Ainda assim, essas expectativas poderão deixar de serem expectativas e se tornarão realidade apenas com um planejamento e atuação em sentido de direcionamento do capital.
Como já observado na última crise, a idéia de laissez-faire possivelmente não conseguirá se estruturar de modo a fazer o país prosperar tão eficientemente como se projeta para os próximos 5 a 6 anos. A idéia de trazer o índice Bovespa para patamares tão elevados pode fazer com que o país caia na armadilha que originou a crise dos últimos anos, colocando a economia nacional em uma profunda queda e assim repetindo-se o erro do passado, deixando-se dominar pelo capital rentista especulativo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Disparidade Econômica


Hoje o Ibovespa subiu para um dos maiores patamares do ano, chegando aos 61316 pontos . Dois fatores contribuiram consideravelmente para isso: O petróleo e os metais voltaram a ser comprados internacionalmente, sofrendo inclusive um aumento repentino de preços, o que valorizou as ações da Petrobrás e da Vale, base do índice de ações brasileiro; E fusões internacionais animaram investidores, como a compra da Affiliated Computer Services pela Xerox e no setor farmacêutico, a compra de um braço da Solvay pela Abbott.


Se as ações acumulam na Bovespa uma alta de 61% no ano, porque o setor produtivo não acompanha esse otimismo? Primeiramente, a oscilação do papel das empresas nada mais é do que uma expectativa do investidor. A economia mundial tem dado sinais de recuperação, o que anima os investidores a realizar esse tipo de investimento, já que os juros estão baixos, e ele procura outras formas de valorizar seu capital. Somado a isso, o Brasil tem sido constantemente elogiado no mercado internacional, inclusive recebendo grau de investimento, como visto no último texto publicado aqui pelo Michel Racy. Portanto, não necessariamente a economia real está melhorando no mesmo ritimo que a alta das ações.


Esse cenário de alta expressiva em um curto período, pode portanto, se tornar nada mais que uma bolha especulativa. Ou seja, os papéis se valorizam consideravelmente, porém os setores não confirmam essa espectativa, e os preços podem ser reajustados, o que geraria uma queda das ações no futuro. O que pode ser feito para mudar essa visão pessimista? Nada mais do que mudar o foco dado para o capital dentro do país (seja internacional ou até mesmo de investidores internos privados): investimento produtivo. Há anos o Brasil possui baixas taxas de cresimento do PIB e altas significativas no mercado acionário, isso porque a abertura comercial na decada de 90, somados aos juros altos que o país oferece desde então, torna nosso mercado muito atrativo para o investimento especulativo.

Apesar de tudo, é plenamente possível alterar esse cenário. O mundo todo reduziu suas taxas de juros consideravelmente, e o Brasil, apesar de ainda possuir uma das mais altas, está em patamares bem abaixo dos últimos anos. Esse fato, somado ao potencial de recuperação econômica deixado pela crise (que supostamente está chegando ao fim), poderia gerar investimento produtivo no país, se houvessem incentivos governamentais para isso. O Estado poderia ser o responsável pela infra estrutura do país, indústrias de base, o que traria grandes benefícios de longo prazo, atraindo ainda mais capital privado, que tem um grande potencial de desenvolvimento em diversos setores estratégicos. Com o surgimento de novas empresas no mercado, ou as que estão aqui recebessem mais investimentos, consequentemente haveria uma maior geração de emprego, maior consumo interno.. chegando no resultado óbvio, um maior aumento do PIB.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pra Frente Brasil! Brasil!

Nesta terça-feira a agência Moody's, como anteriormente já haviam concedido as agências Fitch Ratings e a Standard & Poor's, nos concedeu o patamar inicial considerado para grau de investimento.

A importância deste grau vem em sentido do Brasil ser o primeiro país a receber tal nota após a última crise financeira enfrentada. Nas próprias palavras do titular da agência para a America Latina, Mauro Leos, "a elevação (da nota) reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil"

Desta forma, Leos, classifica o Brasil como uma economia "vencedora" que apresentou grande flexibilidade economica e financeira, tendo apenas uma moderada deterioração dos indicadores de dívida do Estado, enfraquecimento mínimo das reservas internacionais e ausência do estresse financeiro bancário - muito diferente do apresentado por outras economias consideradas fortes e menos vulneráveis que a nacional.

Ainda assim, há uma ressalva importante a ser feita. Neste período o país passou por um grande aumento de sua dívida fiscal - dívida publica. Porém nas palavras do próprio Leo "isso não é grande o suficiente para causar preocupação. A posição oficial do governo é a de retomar balanços primários consistentes com o compromisso de reduzir a dívida pública''.

Não podemos negar que o posicionamento Estatal, como reconhecido pela agência, foi de grande importância para que o país não caisse de cabeça como muitas outras economias do mundo. Ainda assim, parâmetros e diretrizes devem serem tomadas e levadas em conta, principalmente agora, em que o grau de investimento nos foi firmado por mais uma agência de reconhecimento internacional.

O país deve planejar com seriedade os possiveis novos investimentos que serão atraidos para que não cairmos nas mesmas armadilhas do passado e perdemos o controle de nossa própria economia para capitais investidores estrangeiros.