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sábado, 2 de janeiro de 2010

Entrevista clássica - Milton Friedman - 3/3



última parte da entrevista com Milton Friedman

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Entrevista com Luiz Gonzaga Belluzzo - Crise Econômica


Recentemente, o senhor afirmou que o capitalismo passa por seu momento mais frágil desde o pós-guerra. A crise que se desenhou foi grave assim?

É grave e não podemos brincar com ela. A forma acelerada como o emprego encolheu no mundo e o volume ao mercado financeiro que vimos foi inédito no pós-guerra. O governo da Inglaterra anunciou que vai dar seguros para quem tem hipoteca imobiliária a fim de garantir que os donos das casas possam permanecer em seus imóveis. Então, com todos estes fatores no cenário, não há porque subestimar o tamanho da crise. Quem entende do assunto montou um pacote de intervenções sem paralelos. Os bancos comerciais com medo de emprestar as indústrias e, agora, o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) avalia fazer empréstimo diretamente as empresas a fim de evitar um colapso da economia.
Portanto, não dá para ficar especulando sobre quando a crise vai passar. Pode até ser que passe rápido, mas somente se os governos nacionais agirem com vigor, intervindo na economia. Neste momento, os únicos agentes que podem intervir para evitar uma catástrofes são os governos.

Os instrumentos dos governos são suficiente para estancar a crise? Há disposição política de usá-los?

Sem a ajuda dos governos, acredito, que teremos uma catástrofe completa. Com intervenção, no entanto, será ruim, mas não catastrófico. Se você olhar o mercado americano, por exemplo, as famílias e os bancos estão reduzindo suas dividas. Não querem gastar mais. So pagar as dividas antigas. Se todos fazem isso ao mesmo tempo a economia vai para o buraco. É o chamado paradoxo da desalavancagem. Economia é uma coisa simples, as pessoas que complicam muito. O fato é que, se todos decidirem poupar ao mesmo tempo, a economia pára. Afinal, o gasto de um é a renda de outro. Se a empresa não gasta contratando, pagando salários. então os trabalhadores também não tem o que gastar.
Agora, se as ações dos governos centrais forem efetivas, no sentido de garantir o credito e investimentos público, então é possível o cenário se regenerar. Isto não ocorre de uma hora pra outra. Mas, aos poucos, se bancos e empresas perceberem que a há melhor perspectiva para investir e lucrar, então há uma retomada da confiança e a economia vai voltando aos trilhos. Mas, para isso acontecer, ainda há muito chão para percorrer. O presidente do banco Central (Henrique Meirelles) falou sobre isso recentemente. Ele disse que as pessoas , antes, estavam em pânico com a inflação e , agora estão em pânico com a crise. A saída é controlar o pânico, retomar a confiança.

No caso do Brasil, o governo deveria ser mais ousado?

Não há duvidas. O momento exige baixar os juros, diminuir impostos que incidam sobre a classe media, garantir o credito para as empresas e colocar dinheiro em setores como o mercado imobiliário e a industria automotiva. O setor imobiliário, por exemplo, viveu um crescimento muito rápido nos últimos anos, mas nada comparável a uma bolha. E, diferentemente dos Estados Unidos, quem compra casa no Brasil está na maioria das vezes, atras de seu primeiro imóvel.
Em econômica, sabemos que há dois setores que têm um comportamento preponderante no ciclo econômico: os automóveis e a construção civil. Para cada real que você gasta neste setores, movimenta outros 2,5 ou 3. Então, é hora de bancos com a Caixa Econômica Federal investirem mais credito imobiliário, liberar dinheiro para a classe media comprar, dar subsidio mesmo, flexibilizar regras. Depois que a crise passar, você avalia como vai recapitalizar a Caixa. Mas no momento é preciso agir.


Belluzzo diz que a crise financeira é grave, mas o Brasil pode atravessá-la sem grandes traumas e se o governo intervier com energia na economia. Belluzzo defende corte de impostos, baixa nos juros, garantias de crédito as empresas e mais recursos a disposição de setores estratégicos, como o mercado imobiliário e a industria automobilística.

Acredito (Gustavo) que estamos no caminho correto, o governo poderia ser mais rápido e deveríamos buscar uma desburocratização. Os cartórios, por exemplo, ajudam, mas, ao mesmo tempo são resquícios coloniais que poderiam ser melhorados. Muitos são praticamente inuteis e lentos. Há burocracia demasiada, as leis confusas e um governo sem rumo, é o que eu vejo. Ocorreu uma certa movimentação, mas, Brasília, pra mim, continuou a mesma fanfarra de sempre. Senadores e deputados trabalhando o mínimo necessário e sem reformas de grande porte. Podemos mudar e conseguir um crescimento industrial inteligente e estruturado. Mas, nossos políticos são preparados? Creio eu que na "Republica das Bananas" ficará tudo a mesma coisa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Um Estudo sobre Celso Furtado


Vários definem Celso Furtado como sendo um teórico desenvolvimentista de herança Keynesiana. De fato, ele defendia a tese keynesiana de um estado intervencionista como sendo algo necessário e fundamental para que a economia supere o seu estado de subdesenvolvimento por meio da industrialização. Ou seja, ela ia contra a teoria ortodoxa liberal, de o Brasil ser um país agrário-exportador que vive uma fase, um estágio evolutivo, e que iria evoluir, conforme o país adotasse o modelo liberal de desenvolvimento – aquele adotado pelos países centrais –, gradativamente e assim, o país iria superar esse estágio e alcançar o seu estágio desenvolvido, eis a base do conceito de país em desenvolvimento.

Furtado ia totalmente contra esse conceito de etapas e país em desenvolvimento, a questão chave para ele estava na inserção atrasada que o Brasil e os países da America Latina tiveram na etapa evolutiva na qual se encontrava o capitalismo e logo, jamais poderiam alcançar os países centrais adotando o mesmo modelo deles. Era, portanto, estritamente necessária à presença do Estado como agente regulador e único capaz de direcionar o capital estrangeiro – necessário, pois o capital nacional era insuficiente e fraco, para financiar os investimentos em escala que eram necessários para que o país desse o chamado “salto”– rumo ao desenvolvimento industrial da economia nacional. Para ele o país não poderia ter sua dinâmica ditada por agentes externos.

Entre suas obras mais importantes citam-se a "Formação Econômica do Brasil" e "Desenvolvimento e Subdesenvolvimento". Na "Formação Econômica do Brasil" ele “dissecou” toda a evolução do crescimento da economia brasileira, sendo a sua mais renomada obra, é nela que ele, melhor do que qualquer outro estudioso – pode-se citar Caio Prado Jr. e Roberto Simonsen que na mesma época fizeram obras semelhantes à de Furtado – reúne toda a evolução da economia brasileira de forma histórica e coesa, aonde todas as etapas desde a era colonial até a industrialização por substituição de importações, são explicadas de forma que se pode visualizar toda a dinâmica desse processo pelo qual o país passou.

É nessa obra que ele faz sua mais importante contribuição para o entendimento da evolução econômica brasileira e de sua industrialização: a dinâmica do café. É pelo entendimento de como essa dinâmica do café que Furtado vai compreender como se deu o inicio do processo de evolução urbano-industrial nacional, desde a industria marginal que se formava para suprir as necessidades da industria cafeeira até o inicio de um processo de acumulação que se foi alcançado durante as varias crises de superprodução deste produto, chegando a um ponto em que essa acumulação tornou possível a industrial tomar posse da dinâmica econômica do país. Levando-se e conta claro, a participação ativa do Estado durante todo esse processo, como defensor da economia cafeeira até incentivador do desenvolvimento urbano-industrial.

É pela abordagem dada ao processo evolutivo da economia brasileira em sua obra que se observa sua herança keynesiana e sua forma de análise teórica baseada no método histórico-indutivo, no qual por meio da análise histórica de uma nação se fazia as indagações e disso se tiravam às conclusões e tentava-se estabelecer uma estratégia de desenvolvimento que levasse a economia a superar o seu estado de subdesenvolvimento. Outro fator que se deve levar em conta é a influência que seu estudo teve.

A "Formação Economia do Brasil" era para ser um texto introdutório que iria ser apenas um esboço histórico do processo evolutivo brasileiro. Ele elaborou esse “esboço” em Cambridge, no auge do pensamento Keynesiano, e logicamente, teve grande influência de pensadores keynesianos. Citam-se entre ele Kaldor e seu modelo de desenvolvimento keynesiano que dava ênfase à distribuição de renda, tema esse amplamente abordado por Furtado ao estudar o desenvolvimento brasileiro já que em vários momentos ele aponta para as diferenças sócias no nordeste e nas diferenças entre cidade e campo.

E pode se citar também Joan Robinson que teve grande influencia teórica sobre Furtado, seus conceitos eclético-keynesianos como descrevem alguns estudiosos foram utilizados por Furtado em suas análises, na qual ele rejeitava a teoria de valor-trabalho e os conceitos clássicos básicos. Porém ao mesmo tempo Furtado tentava se manter neutro entre as escolas ortodoxas (neoclássicas) e as heterodoxas (marxistas), pois sua inserção política no Brasil, de certa forma, exigia essa neutralidade, se quisesse que suas idéias desenvolvimentistas fossem aplicadas, ele não poderia ser visto como um comunista jamais, e a tese keynesiana caminha por essa escola em certos pontos.
* Texto escrito por Gabriel Eid

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Belluzzo - da entrevista para TV CUT - Brasil



Belluzo fala para TV CUT - Brasil - O economista Luiz Gonzaga Belluzo fala sobre desafios e potenciais do Brasil para alcançar taxas de crescimento econômico.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Milton Friedman através da Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) reconstrói a teoria neoclássica e com isso cria a teoria monetária.


Milton Friedman

Milton Friedman através da Teoria Quantitativa da Moeda (TQM) reconstrói a teoria neoclássica e com isso cria a teoria monetária. A TQM que não estava em pauta no pensamento econômico até o autor retorná-la em seus estudos e alem disso trás a idéia de moeda neutra. Friedman acredita que a economia mundial é atrapalhada pelas interferências do governo, pois não permitia que o grande capital circulasse livremente.


Ele acreditava que a crise de 29 não fora solucionadas pelas políticas Keynesianas, e ainda estas estavam aprofundando a crise. Em sua opinião, Friedman, o Banco Central (BC) foi omisso e depois fez uma política contracionista, já que acreditava que o sistema precisava de liquidez. Por isso, defendia o BC a independência, porque acreditava que não havia um grupo de pessoas capazes em administrar de forma eficiente a política monetária. Para ele o BC deveria agir em determinados momentos para atender as necessidades do mercado. Friedman defendia a diminuição dos salários para a economia crescer. A taxa natural de desemprego surge a partir da curva de Phillips. E ainda todos os agentes trabalham em cima de expectativas de preços.


Friedman era um grande critico ao Keynesianismo, mas Friedman não criticava Keynes, sua critica estava voltada ao modelo síntese IS-LM. Ele desenvolve a critica a partir da fragilidade do sistema. Com isso, vários economistas trabalham com a política Keynesianas dizendo que é incapaz de tirar a economia da crise. Friedman tem como argumento central que a política Keynesianas não movimenta a economia, mas, apenas gera inflação. A inflação só irá causar uma variação de preços não de riqueza. Diz que ao se pensar em ciclos econômicos a política Keynesianas será eficiente, mas, a inflação para ele é muito ruim. Os modelos de Friedman passam a ser considerados, pois conseguem explicar o caso da inflação e que está ligada diretamente a políticas fiscais e monetárias de aumento de demanda agregada.


A crítica esta ligada a questão como citei a cima, as políticas monetárias e fiscais. O pressuposto é o seguinte: “Inflação é o resultado dos desequilíbrios entre a oferta e a demanda agregada. A renda não varia. Já as políticas monetárias e fiscais mudam a demanda agregada, mas não mudam a oferta agregada no mesmo momento e na mesma proporção, como resultados têm a inflação.


Um aumento nominal da renda e um aumento dos preços são explicados pela lógica do modelo IS-LM de desequilíbrios entre o produto e a renda (Y). O aumento de moeda no mercado, somado a um juro baixo, temos um recurso monetário disponível para o consumo. Dessa forma o aumento do crédito se reflete em um aumento dos preços. Esse impacto demora a acontecer porque a demanda por moedas, para Friedman, é uma demanda estável. Dessa forma vai depender especificamente da renda permanente (renda no tempo). As variações de curto prazo geram um pequeno impacto no crescimento. Então as variações de curto prazo na renda não são importantes para se gerar demanda por moeda, por isso é estável. Já que o consumo depende da renda permanente. A demanda passa a ser relacionada pelas escolhas dos portfólios dos agentes. Com isso Friedman retorna com a questão da TQM, considera que a demanda permanente de moeda esta relacionada à renda e essa é estável, devido o conceito de renda permanente. O conceito: O agente demanda moeda com base nas variações de longo prazo no valor da renda, e não no curto prazo, pois tais variações não afetam esta demanda imediatamente. A demanda por moeda depende da taxa de juros, ou seja, um aumento da taxa de juros gera uma disponibilidade de moeda para títulos, já uma queda nos juros tem uma demanda para troca, investimentos.


Dessa forma, o efeito multiplicador da moeda se tornaria muito pequeno, ou até mesmo inexistente. Considerando a não existência deste multiplicador, assim as políticas fiscais não causam nenhum efeito sobre a economia diz Friedman. Na mesma linha de pensamento, a troca de investimentos privado por publico não tem o efeito multiplicador. O baixo efeito multiplicador mostra que o efeito da política fiscal é ineficiente. Isso é explicado através da idéia de expectativas adaptativas. Dessa forma a insistência neste tipo de política pode gerar um fluxo de contratação por parte dos empresários que contratariam trabalhadores à custa de uma inflação crescente.


Friedman com suas teoria faz a separação teórica entre curto e o longo prazo. Seguindo essa lógica de modelo o agente ativo passa ser o trabalhador, já que esse, através da suas expectativas irá decidir se trabalha ou não. Com isso o capitalista passa a ser um mero agente passivo.



O modelo IS-LM é aceito por Friedman, mas para ele, tudo se acaba se ajustando no mesmo nível de produto anterior, mas com maiores taxas de inflação. Tudo isso através do conceito de expectativas adaptativas. Os agentes passam a não serem mais enganados constantemente, uma vez que passarão a formar as chamadas expectativas racionais, que significa: o agente antecipará os efeitos das políticas fiscais e monetárias, não caindo novamente nesta “ilusão” descrita anteriormente. Dessa forma Friedman analisa o futuro sendo conhecido e equilibrado, desde que não sejam alterados os fatores básicos. Já para Keynes o futuro é desconhecido.


A lógica a partir dessa analise é que não haverá mais crises, os ciclos econômicos nãos existem mais. Esta forma de pensamento leva em consideração que as crises são, na verdade, choques exógenos causados por principalmente pelos governos, que diante alguns fatos decidem mudar e desrespeitar as regras definidas. Além disso, poderia causar um problema de informação incompleta. Friedman tem a sua lógica encontrada nos pensamentos de Hayeck – “Há toda uma lógica de funcionamento baseada em regras que não deve sofrer interferências por parte do poder estatal”.


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domingo, 7 de junho de 2009

Os postulados da economia clássica visão de Keynes


Os postulados da economia clássica

A economia clássica se preocupa muito com a distribuição dos recursos, sejam eles materiais ou humanos; porém ela não se aprofunda nos fatores que determinam o emprego efetivo.

Para Keynes a teoria clássica do emprego está baseada sobre dois postulados:

1) “O salário é igual ao produto marginal do trabalho”, isto é, o salário é igual ao valor que se perderia caso o trabalho fosse reduzido de uma unidade;

2) “A utilidade do salário, quando se emprega um dado volume de trabalho, é igual à desutilidade marginal desse mesmo volume de emprego”, isto é, o salário real é o volume necessário para que haja o “afluxo do volume de mão-de-obra” [1].

Keynes defende a idéia de que há desemprego involuntário, vide nos EUA em 1932. Para tanto afirma que tem como ocorrer uma oferta de mão-de-obra mesmo quando o salário real diminui (ou seja, quando sobem os preços do “consumo operário”), o que resulta no fato de que o “consumo operário” não dá a verdadeira medida da desutilidade marginal do trabalho. Em outras palavras, o segundo postulado clássico não é valido. Sã levantados dois problemas quanto a este postulado: o primeiro é sobre o comportamento dos trabalhadores; o segundo é sobre a rejeição do Keynes quanto a “hipótese de que o nível geral dos salários reais possa ser diretamente determinado pelo caráter das negociações sobre os salários”[2].
[1] Keynes, M. – Teoria Geral p. 18
[2] Keynes, M. – Teoria Geral p. 25


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sexta-feira, 5 de junho de 2009

"O pior já passou", mas crescimento só em 2010


Entrevista com o Economista e Professor João Manuel Cardoso de Mello, retirado da revista: "IBEF em Revista" (Informativo do instituto Brasileiro de Executivos de Finanças - Campinas - Edição n°106 - Maio/2009)

Com uma visão critica e profunda da cena econômica atual, o economista e professor João Manuel Cardoso de Mello, fundador da Facamp, Faculdades de Campinas, em entrevista ao Ibef Em Revista, avalia que, embora o alto numero de demissões tenha produzido muitos estragos aqui e no resto do planeta, a julgar pelos números do mercado, “o pior já passou” e a economia brasileira deve manter uma tendência ascendente, embora afirme que o PIB nacional em 2009 deve ser negativo em 1,5%. “o que não é tão ruim, se comparado com as taxas de outros países”, avalia o economista. Na entrevista, João Manuel também comenta sobre o novo desenho político-econômico escrito pela China, que emerge como a grande novidade no mapa das relações globais. “A China esta fazendo um fundo para o leste da Ásia e caminha para uma união de pagamentos, que vai atingir toda aquela região, com Japão e Índia”. Ele comenta ainda que o dólar como a moeda de reserva internacional esta ameaçado.

Entrevista:

Ibef Em Revista – A tendência de alta Bolsa sinaliza que o pior da crise já passou?

João Manuel Cardoso de Mello – A bolsa na verdade espelha uma expectativa das pessoas. Estamos vendo que o governo brasileiro tornou varias medidas corretas, algumas com atrasos, mas tudo bem, porque outros países também demoraram nisso. O BNDS teve o seu orçamento dobrado, o que impediu que algumas empresas tivessem dificuldades muito grandes. A diminuição do IPI para os carros e em seguida também para a linha branca e para materiais de construção foram corretas. O governo também impediu a quebra de bancos pequenos. Corretamente, porque só gente maluca deixa banco quebrar. A taxa de juros tem baixado, embora ainda esteja alta. Já passamos o pior daquela contratação de credito. Continuo achando que vamos ter este ano uma taxa de PIB negativa em 1,5%, mas não tem importância. Seguramos a possibilidade de uma recessão grande, mais do que isso, a perspectiva é que a economia, vá devagar, mas crescendo e para o ano que vem ocorra a retomada de crescimento. A posição relativa do Brasil é muito boa.

Ibef Em Revista – Como o Sr. Vê o movimento das economias da China e dos Estados Unidos?

João Manuel – Uma noticia muito boa para nos (brasileiros) é uma proeza da China, que tomou medidas enérgicas de gastos, em transportes e na área de saúde, como previdência social, que eles não tinham. Fizeram um programa muito bem feito e rápido e estão crescendo, isso ajuda a demanda por nossas commodities. O problema dos americanos ainda é muito grave. Estão fazendo um programa gigantesco de recuperação. O problema é que olhando em médio prazo, os Estados Unidos não terão um crescimento baseado na expansão do consumo, porque as famílias americanas estão altamente endividadas. Eles têm problemas gravíssimos de perda de competitividade em vários setores da economia. O presidente Barack Obama esta fazendo um programa de reestruturação de toda economia americana. Não é fácil entender por onde é que a coisa vai sair. Eles enfrentam ainda a concorrência chinesa, que tem a formula trabalho barata por tecnologia de ponta. O dólar como moeda de reserva internacional esta ameaçado. A China esta fazendo um fundo para o leste de Ásia e caminha para uma união de pagamentos que atingirá toda aquela região, com Japão e Índia. Veja que o comércio do Japão com a China já é maior do que o comercio do Japão com Estados Unidos. Os europeus estão em uma posição cautelosa do ponto de vista de políticas mais agressivas, porque temem a desvalorização do euro. Nos próximos anos essa coisas vão se alterar, não se sabe ainda muito bem em qual direção, mas vão mudar.

Ibef – Voltando ao Brasil, temos o risco de um rebote da crise?

João Manoel – Não acredito nisso. Essa reentrada de capital estrangeiro na Bolsa é um sintoma inicial de que o pior já passou. As pessoas começam olhar onde vão colocar o seu dinheiro. Aqui ficou um lugar razoável para as pessoas botaram dinheiro.

Ibef – O que o Sr. Diria para o empresário?

João Manuel – Para o empresário diria que dentro do possível da sua empresa, não desapareça do mercado, não corte radicalmente em propaganda e marketing, não interrompa seus projetos de investimento e não demita gente importante para sua empresa. Quando a economia retomar você terá uma posição vantajosa em relação ao que fez tudo isso. O consumidor, que ainda esta cauteloso, a medida que o medo de perder o emprego desapareça, vai voltar à normalidade


TEXTO: retirado IBEF/maio 2009

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os três pressupostos de Hayeck


Hayeck irá criar os seus três pressupostos:


1° - Equilíbrio é um elemento singular dentro do movimento natural.
A teoria de crises de Hayeck é a mesma que a teoria de Wicksell. O que se pensava era que os movimentos da economia sempre tendem ao equilíbrio, pois o estado natural é o estado de equilíbrio. Hayeck critica essa idéia, pois para ele o estado natural e o estado de movimento, ou seja, a dinâmica dos mercados. Assim temos que o equilíbrio é uma construção teórica imperfeita. Toda intervenção deve ser feita com o intuito de garantir a liberdade. O melhor que pode acontecer será do mercado funcionar livremente.


2° - O mercado deve funcionar livremente.
Cada indivíduo isolado não tem o conhecimento pleno e é justamente por isso que ninguém esta apto a planejar a economia. Mas, Hayeck diz que todos juntos tem pleno o conhecimento. O mercado funciona de forma mais eficiente, pois cada uma conhece uma parte do conhecimento geral. Assim só o mercado conhece tudo, sabe melhor. Devidamente pela soma de conhecimento individual e ainda como alocar de forma mais eficiente.


3° - Função do Estado.
Para Hayeck a melhor maneira de um país ser administrado é por um n° grande de empresas, os oligopólios, do que pelo estado. Precisamos que o Estado exista para garantir a concorrência, apenas como Estado regulador. Um sistema coercitivo e arbitrário de regulação não é requerido. A função do estado seria regular as horas de trabalho, vigilância sanitária, impedir os monopólios, o melhor mundo para Hayeck é o mundo da liberdade.

domingo, 24 de maio de 2009

O papel da taxa de desconto do Banco da Inglaterra no gerenciamento do padrão ouro e no sistema financeiro Internacional entre 1890 - 1914


Baseando nos textos de Eichengreen e Aglietta

Segundo Aglietta, a taxa de desconto do Banco da Inglaterra permitir que este exercesse uma regulação precisa sobre os câmbios. Portanto, sua taxa de desconto era uma poderosa alavanca. A estabilidade das taxas de câmbio e o alinhamento das taxas de juros estrangeiras com a taxa de desconto do Banco da Inglaterra estavam ligados a crença, indefectível por parte dos operadores de todo mundo, a paridade ouro da libra esterlina.

A oferta de moeda obedecia a uma dupla influência: de um lado, as autoridades monetárias tinham que defender a paridade ouro de suas divisas; de outro, os operadores privados davam por certo que as autoridades iam defender a paridade. Nessas condições, a taxa do Banco da a Inglaterra era efetivamente a diretriz. Quando a taxa de juros interna era superior a taxa diretriz, a arbitragem de juros desencadeava a entrada de capitais que aumentavam a oferta de moeda. Quando ele inferior, a arbitragem provocava a saída de capitais que reduziam a oferta de moeda. Se derivava um desequilíbrio no mercado monetário do país, excesso de oferta de moeda no primeiro caso, excesso de demanda de moeda no segundo, que fazia variar a taxa de juros interna para alinhá-la com a taxa diretriz.

Segundo o Eichengreen, através da manipulação de sua taxa de redesconto, o Banco Central podia intervir no volume de crédito doméstico. O banco de aumentar ou reduzir a disponibilidade de crédito para restaurar o equilíbrio do balanço de pagamentos sem que fosse necessário realizar a transferência de ouro. Quando uns bancos centrais, prevendo a perdas de ouro, elevava sua taxa de redesconto, reduzindo assim o seu estoque de ativos domésticos que lhe rendia juros, ocorreria um enxugamento do volume de dinheiro no mercado. Verifica-se uma redução no volume de dinheiro em circulação e o equilíbrio externo era restaurado sem necessidade de uma saída real de ouro do país.

sábado, 23 de maio de 2009

Usando o exemplo do mecanismo de arbitragem, através do funcionamento da Lei de Gresham.


Os países que adotaram padrão bimetálico faziam o papel de ligação entre os blocos de nações que praticavam, de um lado, o padrão ouro e, de outro, o padrão prata. Essa característica permitiu sistema de arbitragem, que é a tentativa de enriquecimento através da exploração de taxas de câmbio entre diferentes países. Exemplo:

“Um interessado poderio de importar 15,5 onças de prata e levá-la para casa dando é para se cunhadas. Em seguida, poderia trocar essa moeda de prata por outra contendo uma onça de ouro. Esse ouro poderia ser exportado e trocado por 16 a onças de prata nos mercados externos (uma vez de 16 para 1 era o preço lá vigente). Essa prática de arbitragem permitia não apenas recuperar investimentos como também obter meia a onça extra de prata."
[1].

Tal movimento de metais em países com diferentes relações entre ouro e prata. Que continuou sendo incentivado enquanto houver uma relação de preços acima da proporção de sua utilização na cunhagem das respectivas moedas. Ou seja, nessa transação continuará até o momento em que a transação forneça um ganho que supere o valor do transporte e da diferença de preços dos metais entre os países. Essa realidade pode fazer com que a moeda boa seja expulsa pela moeda ruim, devido ao grande influxo do país. Como explica a Lei de Gresham.

Bibliografia:
Eichengreen,B. Padrão Ouro. A Globalização do Capital. Pág 33, parágrafo 2.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O princípio que fundamentou a unidade da moeda chave inglesa (Libra) frente à pluralidade de divisas, na visão de Aglietta.


Segundo Aglietta, o princípio que fundamenta a unidade da moeda chave inglesa frente a pluralidade de diversas foi o endividamento baseado na a assimetria de que os presidentes do país emissor são, ao mesmo tempo, devedores e credores dos não-residentes. Havia também a questão da confiança, no sentido de que os não-residentes devem ser credores seguros dos bancos emissores, que significa dizer que os credores não podiam deixar dúvidas em relação a suas intenções de conservar essas balanças líquidas no futuro; o ouro garantir a segurança.


Mas existia um sinal de fragilidade que afetava a confiança, e este sinal era dado através de indicadores estatísticos. Em 1913, todos acreditavam na libra como divisa chave. No entanto, a relação das reservas de ouro da Inglaterra e suas obrigações estrangeiras eram de 38%. A manutenção da confiança na moeda como divisa chave é baseada na seguridade de uma ordem econômica embasada na permanência dos compromissos privados, dentro e fora do país.


A moeda é o símbolo de uma civilização que exaltava a liberdade do indivíduo, a propriedade e o contrato. Assim, o ouro era, portanto, o símbolo da transcendência da ordem monetária frente às instituições estatais. Portanto, o mais importante era manter a conversibilidade do ouro, ou seja, o mais importante era preservar o valor nominal dos contratos em detrimento dos objetivos macroeconômicos.