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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ações: Mercado em Expansão


O investimento em ações tem se tornado uma opção cada vez mais rentável no Brasil. Os retornos obtidos superam na maior parte do tempo os de renda fixa. Aproximadamente 40 anos atrás, quando a Bovespa foi fundada, seu índice tinha base de 100 pontos, sendo que hoje ele está próximo dos 67mil. Apesar disso, o investidor comum ainda possui uma participação muito baixa nesse mercado, se comparado aos de países em que a prática é comum há mais tempo. Acredito que isso ocorre por dois motivos: o primeiro é o fato de muitas empresas não possuírem uma política transparente junto ao investidor, no sentido de apresentar regularmente os resultados obtidos, investimentos feitos, compromissos a serem cumpridos; o segundo é a falta de informação sobre o mercado, as formas de se investir, como agir perante as oscilações do mercado.
Atualmente a Bovespa toma algumas medidas para resolver os dois problemas citados acima. Foi criado o Nível 1 e 2 de governança, além do Novo Mercado. O que nada mais é do que a criação de níveis de governança coorporativa, ou seja, quando uma empresa optar por abrir capital em algum deles, estará sujeita a maiores cobranças e obrigações. O Novo Mercado, por exemplo, impõem aos participantes exposições claras e frequentes de seus balanços, além de aumentar a participação dos pequenos acionistas no papel da empresa, com a eliminação das ações preferenciais, entre outras regras encontradas no site da própria Bovespa (http://www.bovespa.com.br/). As grandes empresas que abriram capital recentemente estão aderindo à nova prática, já que ela permite que o pequeno investidor tenha maior confiança nela. Isso porque diminui consideravelmente as possibilidades de fraudes e consequentemente diminui a insegurança na compra do papel.

Porém, o maior obstáculo da Bovespa talvez seja a mudança de hábito do brasileiro quanto ao investimento. No país, não há um hábito das pessoas em poupar, já que existe grande número de impostos a ser pago, além de gastos básicos que muitas vezes não são oferecidos pelo governo, seja em saúde ou educação. O pouco que sobra é gasto em bens supérfluos, como celulares ou cosméticos (mercados em grande expansão). Poucas pessoas escolhem investir parte do salário, e se o fazem, preferem investimentos teoricamente mais seguros, como a poupança. Para mudar essa realidade, a Bovespa criou um programa de visita as escolas e empresas, para mostrar os benefícios do investimento em ações. Outra mudança importante, que só foi possível com o surgimento da internet, foi o Homebroker, que permite o investidor controlar seus investimentos dentro de sua própria casa ou trabalho. Apesar dos novos esforços, o Brasil está muito longe de países como os EUA, onde grande parte das pessoas investe seu dinheiro em renda variável, desde clubes de investimentos até fundos de diversos tipos.

Possivelmente, com o sucesso do Novo Mercado e uma mudança gradual de pensamento, a Bovespa conseguirá se tornar mais forte e consistente. Porém, vale a pena lembrar o pequeno investidor que sempre há um risco nesse tipo de investimento. Para evitar muitos deles é necessário estudar sobre o assunto antes de investir ou, se não tiver tempo, realizá-lo através de alguém capacitado. Na última década surgiram muitas empresas especializadas em cursos de análise técnica e fundamentalista (técnicas mais utilizadas por analistas do ramo) ou até mesmo corretoras que disponibilizam informações sobre essas opções. A própria Bovespa ministra cursos do tipo, com o objetivo de trazer novos interessados para esse tipo de investimento ou mesmo tornar mais gabaritados os já existentes.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Apagão - Problema Estrutural


Na última terça feira, 10 de novembro, ocorreu um dos maiores apagões da história do país. O Governo Federal afirmou hoje, que um curto circuito na Usina de Itaipu (que pode ter sido causado pelas fortes chuvas, raios e a mudanças climáticas) tenha gerado todo o problema. Fato é que 18 estados brasileiros ficaram sem energia, além de parte do Paraguai, o que acarretou em problemas como: dificuldade no abastecimento de água; falta de sinal de internet e celular; prejuízos no comércio devido a falta de máquinas de cartão de crédito ou até mesmo perda de produtos; queima de aparelhos eletrônicos, entre outros. Possivelmente o problema em Itaipu tenha sido algo isolado, como afirma o Governo, porém, não se pode negar que o Brasil possui completa falta de infra estrutura no que se diz respeito à geração e transmissão de energia elétrica.

Há décadas se discute o rumo que a geração de energia deve tomar, principalmente após o Apagão ocorrido no início do século. Esse, que teve natureza completamente distinta, já que foi gerado pelo baixo nível de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. O fato fez com que houvesse um racionamento no uso da eletricidade, até que os níveis voltassem ao normal. Os dois apagões mostram como o país é dependente da energia hidrelétrica. Teoricamente essa dependência não é ruim, já que o Brasil possui a maior quantidade de recursos hídricos do mundo. O problema está no fato de utilizarmos apenas 25% desse potencial. Por que não se investe mais nisso? Um dos grandes problemas enfrentados pelos projetos atuais, como o do Rio Madeira é a questão ambiental. A construção de usinas hidrelétricas acarreta em alagamentos de grandes áreas que servirão de reservatórios. Isso destrói a fauna e a flora dos locais, além de mudar o fluxo de rios. Para superar esse empecilho, deveria ser feita uma maior aproximação entre governo e ambientalistas, a fim de melhorar os projetos existentes, para que seja possível a construção de novas usinas, mesmo que possuam potencias menores do que os previstos.

Outras alternativas já foram discutidas no debate. O investimento em usinas termoelétricas, nucleares ou até mesmo em energia eólica pode ser uma alternativa para o país. Porém, todas essas esbarram em problemas. As usinas termoelétricas, por exemplo, apesar de possuírem um custo de construção mais baixo que os da hidrelétrica, trazem altos gastos de operação. Outro problema é que esse tipo de usina funciona a partir da queima de combustíveis, principalmente do gás natural. Além de emitir gases poluentes, atualmente há um problema na obtenção do gás. A Bolívia, que era nossa maior fornecedora, nacionalizou as empresas responsáveis por isso e tem restringido a exportação, além de ter aumentado o preço. A Petrobrás não consegue suprir sozinha a demanda, caso haja a ativação das usinas já existentes ou até mesmo a ampliação delas. Somado a isso, o custo para o consumidor desse tipo de energia é muito maior que o anterior.

A energia nuclear é a mais polêmica do debate, já que gera resíduos tóxicos provenientes do urânio (base do funcionamento). No Brasil existem 2 usinas, Angra I e II, além do projeto de construção de Angra III. Na Europa, esse tipo de energia é muito utilizado, devido inclusive à falta do potencial hidráulico, mas no país, Angra II por exemplo, não produz energia suficiente para abastecer nem a cidade do Rio de Janeiro. Existe um alto custo de implementação e geração de energia nuclear, isso encarece o preço passado ao consumidor também. Especialistas apontam o abandono dessa técnica, citando a Europa como exemplo, que só possui um reator em desenvolvimento. Outra alternativa é a energia eólica, que nada mais é que a geração de energia através do movimento de pás pelo vento. O Brasil produz esse material e o exporta inclusive, porém ele é feito para os padrões de ventos do hemisfério norte. Os problemas desse projeto é que ele tem baixa capacidade de geração e o material é de difícil transporte. Porém, já existem projetos mais modernos nesse sentido.

Concluindo, o Brasil precisa investir no aumento da capacidade de geração energética, já que hoje dependemos da quantidade de chuvas para o preenchimento dos reservatórios. Se obtivermos um crescimento econômico somado a falta de chuvas, com certeza haverão outros apagões. Porém, para que isso seja feito são necessários bons projetos, melhor política de relacionamento com ambientalistas e especialistas na área, para que não seja gasto dinheiro desnecessário, como ocorreu na construção de Angra II.

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo de Luiz Pinguelli, no Scielo:

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Taxação do Capital Estrangeiro: Medida Certa de Argumentos Errados


Como divulgado pela mídia, nesta terça-feira (20/10) entrou em vigor a medida de taxação do capital estrangeiro nos investimentos de renda fixa e na bolsa de valores. Como outras medidas, esta, não deixou de ser alvo de críticas de especialistas sobre sua eficácia naquilo em que propunha - conter a variação do câmbio.

De acordo com o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) seria reduzir o fluxo de capital estrangeiro especulativo no país com a finalidade de regular as variações do câmbio - este já registra uma variação de valorização de 25% em relação ao dólar. Desta forma, o capital de curto prazo (caracterizado como sendo o especulativo) sofreria a taxação de forma mais punitiva que o de longo prazo, uma vez que, no longo prazo, esta alíquota seria diluída ao passar do tempo.

Porém, analistas de mercado advertem que o IOF não seria eficiente para segurar as oscilações cambiais (baixo valor de taxa) e ainda, caso se mostre eficaz, poderia fazer com que as empresas de capital aberto passassem a apresentar prejuízos devido à fuga de capitais do mercado nacional.

Por outro lado, o jornal britânico Financial Times publicou em sua edição desta quinta-feira que apóia a decisão do governo brasileiro. O jornal afirma que o país está sendo "sábio... antes que seja tarde demais". Fazendo uma análise, os editores da reportagem afirmam que "cada vez mais, o capital que entra no Brasil é por meio de carteiras de investimento em vez de investimento direto externo (IDE)".

Os dados apontam que em Agosto deste ano um valor inferior à metade do valor do ano anterior em capital estrangeiro foi de IDEs enquanto os fluxos de carteiras de investimento mais que duplicaram no mesmo período. Deste modo, como colocado pelo jornal britânico, a medida brasileira de taxação do capital estrangeiro deveria ser argumentada a favor do corte de fluxos especulativos, que significam uma menor propensão à formação de possíveis bolhas especulativas.

Analisando com mais cuidado a medida, vemos que o investidor realmente "prejudicado" é o de investimento especulativo (curto prazo). A taxação não atinge aquele que deseje fazer um investimento direto no país. Além disso, não pode ser tratada como uma taxa "injusta" ou "desleal", como ocorreu no caso da Malásia, pois de modo claro, trata-se de uma taxação no momento em que o capital entra no país e não em sua saída.

Um reflexo da medida pode ser observado ainda esta semana com a queda bruta da Bovespa em mais de 2% após alguns dias de altas seguidas, juntamente com uma leve alta do dólar. Porém, seqüencialmente, a bolsa voltou a subir e se estabilizar, assim como o dólar.

Deste modo, vemos que a medida de taxação em 2% do capital rentista fixo e em carteiras de investimento aparece de modo inteligente, porém com justificativas erradas. Certamente, a vulnerabilidade de países emergentes, como o Brasil, é muito maior e mais propícia a bolhas especulativas. Nesse sentido, medidas sutis de caráter regulatório do capital estrangeiro devem ou podem ser realizadas visando evitar problemas especulativos. Acreditar que com isso se conseguirá realizar um controle cambial seria falho. A algum tempo, o país vem se mostrando concreto suficiente para despertar interesses internacionais de investimento, e este processo que tem proporcionado o fortalecimento do real perante ao dólar.

O que resta ao país agora, como colocado pelo Financial Times, é aprender a "viver com um real mais forte" e que tal medida "não altera este fato mais ajuda a mantê-lo sob controle".

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Taxação do Capital Estrangeiro


Um assunto discutido por todos os economistas nos últimos anos é o grande volume de capital estrangeiro que entra no Brasil desde a abertura comercial do início da década de 90. Sabemos que grande parte desse investimento entra no país atraído pelos altos juros que exercemos. Isso faz com que o interesse produtivo seja cada vez menor e a especulação se torne cada vez mais atrativa. Dados apresentados pelo jornal folha de São Paulo, em reportagem do dia 17/10, mostram que o montante de capital estrangeiro atraído pela especulação soma pouco mais de meio bilhão de reais entre março e agosto deste ano.


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje uma medida que tem por objetivo diminuir o atrativo desse tipo de capital. O Governo fará a taxação de qualquer operação de crédito, seguro, câmbio ou até mesmo em títulos de valores mobiliários no momento de sua entrada em 2%, através do Imposto sobre Movimentações Financeiras (IOF). Não haverá cobrança do imposto na saída e não ocorrerá o mesmo caso a entrada de capital seja para investimento produtivo. A medida provisória entrará em vigor amanhã, com o registro no Diário Oficial da União.


Mantega afirmou que o objetivo da medida é evitar o excesso de liquidez e especulações exageradas. Além disso, existe também a intenção de frear a valorização do Real perante o Dólar, que foi acentuada com a entrada de cerca de 20 bolhões de reais na bolsa de valores desde o início do ano. Apesar das intenções, dificilmente haverá sucesso a médio/longo prazo. Isso porque, não é apenas a simples entrada de capital especulativo que está gerando essa valorização. E sim, o cenário macroeconômico mundial, como afirma o economista-chefe do WestLB, Roberto Padovani: "Os fundamentos econômicos sugerem apreciação do real, com as commodities subindo e o dólar globalmente se enfraquecendo". O economista faz a crítica por já estar provado que, historicamente, medidas administrativas não influenciam o câmbio. Isso ocorre apenas no curto prazo, pelo fato dos investidores estarem inseguros sobre o rumo que as regras de investimento no país tomarão.


Concordo com Roberto e vou um pouco mais longe. Se as políticas cambiais, fiscais e monetárias adotadas pelo país nos últimos anos não sofrerem mudanças, a tendência é de que o capital especulativo continue entrando livremente. Há anos o Brasil se preocupa apenas com pagamentos de juros da dívida e com a manutenção das metas de inflação estabelecidas. Para isso, mantém a taxa básica de juros alta, procura sempre gerar superávit, além de manter o câmbio flutuante. O investimento só se tornará produtivo se incentivos forem dados aos investidores, como já comentado em textos anteriores. Primeiramente, os juros devem ser mais baixos, para não serem tão atrativos a especulação. Além disso, o investimento do governo em setores de base e estratégicos da economia deve ser realizados, para dar confiança ao empresário e suporte para potenciais investidores, mesmo nacionais. Uma economia mais consistente seria competitiva no mercado externo, o que proporcionaria o aumento das exportações. Nesse cenário, o câmbio se desvalorizaria naturalmente.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Belluzzo - da entrevista para TV CUT - Brasil



Belluzo fala para TV CUT - Brasil - O economista Luiz Gonzaga Belluzo fala sobre desafios e potenciais do Brasil para alcançar taxas de crescimento econômico.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Olimpíada 2016


Sexta-feira passada o Brasil foi escolhido como sede dos jogos olímpicos de 2016!! Com isso, o país será responsável por dois grandes eventos esportivos nos próximos 7 anos: além da própria olimpíada, a copa do mundo de 2014. Houve muita comemoração desde que as escolhas foram confirmadas e, agora, só nos resta torcer para tudo dar certo. Investimentos bilionários serão feitos em todo país durante esse período (estimam-se gastos de 30 a 40 bi de reais), principalmente no Rio de Janeiro, que receberá quase toda a estrutura para 2016.

Em um primeiro momento, parecem absurdos os gastos que serão realizados com esses eventos. Porém, como o próprio presidente Lula se pronunciou esta semana, tais gastos devem ser encarados como um investimento no país, que trará retorno durante e após esse período. Diversos países apresentaram melhoras significativas em seu PIB no ano de realização do evento e afirmam possuir retornos em várias áreas após os jogos. A Copa do Mundo de 2002, por exemplo, trouxe um acréscimo estimado de 0,6% ao PIB japonês e de 3% ao sul coreano. Um relatório elaborado pela PricewaterhouseCoopers mostra os retornos estimados em termos de geração de emprego, turismo, legado sócio-cultural para Londres, que sedia a olimpíada de 2012 (http://bit.ly/18kj79).

O Brasil pode ser muito beneficiado com a vinda dos eventos, já que existe uma necessidade (exigência) de melhoria na infraestutura do país. Aeroportos, portos, estradas, metrôs, hotéis, restaurantes devem receber grande parte dos investimentos, para melhor atender a vinda dos turistas para o país. O turismo, inclusive, deve sofrer altas significativas desde já, com as escolhas das sedes. Além disso, deve haver investimento em hospitais, serviços em geral, na segurança, tudo para que o país não seja visto com maus olhos no exterior. Além do desenvolvimento nessas áreas, diversas indústrias devem ter seu potencial produtivo aumentado: a indústria de materiais esportivos, por exemplo, deve aquecer suas vendas consideravelmente; as indústrias produtoras de insumos em geral vão ser base de todas essas reformas; a construção civil vai ser extremamente explorada. Tudo isso gera um aumento considerável nos níveis de emprego, além de um grande retorno tributário para o governo.

Mas não são só benefícios econômicos. Eventos esportivos desse porte deixam um legado esportivo, social, cultural muito grande. Os centros esportivos ou estádios construídos serão utilizados para desenvolver os atletas brasileiros e para sediar eventos internacionais em diversas modalidades. O governo deve, a partir deste ano, aprovar leis de desenvolvimento esportivo como a criação de treinos após o horário de aula nas escolas; a aprovação de maiores verbas para categorias amadoras e profissionais; o desenvolvimento de esportes não difundidos no país. Diversos locais construídos para esses eventos podem ser usados como pontos turísticos após os jogos, como feito na China, com o centro aquático, que ainda gera considerável receita com as visitas.

Porém, para que tudo isso dê certo, é necessário que haja fiscalização, planejamento (imediato) e uma boa administração após os jogos. O histórico de corrupção presente no Brasil não pode ser um empecilho para esse desenvolvimento. Além disso, parcerias privadas devem ser incentivadas, para que não haja um gasto além do necessário de dinheiro público. A visibilidade dos eventos pode facilitar muito a procura por parceiros, inclusive de patrocínio para os atletas brasileiros. Mas também pode se tornar inimiga deles, caso não haja um desenvolvimento planejado por parte do governo, como ocorreu no último Pan Americano, realizado no Rio.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Disparidade Econômica


Hoje o Ibovespa subiu para um dos maiores patamares do ano, chegando aos 61316 pontos . Dois fatores contribuiram consideravelmente para isso: O petróleo e os metais voltaram a ser comprados internacionalmente, sofrendo inclusive um aumento repentino de preços, o que valorizou as ações da Petrobrás e da Vale, base do índice de ações brasileiro; E fusões internacionais animaram investidores, como a compra da Affiliated Computer Services pela Xerox e no setor farmacêutico, a compra de um braço da Solvay pela Abbott.


Se as ações acumulam na Bovespa uma alta de 61% no ano, porque o setor produtivo não acompanha esse otimismo? Primeiramente, a oscilação do papel das empresas nada mais é do que uma expectativa do investidor. A economia mundial tem dado sinais de recuperação, o que anima os investidores a realizar esse tipo de investimento, já que os juros estão baixos, e ele procura outras formas de valorizar seu capital. Somado a isso, o Brasil tem sido constantemente elogiado no mercado internacional, inclusive recebendo grau de investimento, como visto no último texto publicado aqui pelo Michel Racy. Portanto, não necessariamente a economia real está melhorando no mesmo ritimo que a alta das ações.


Esse cenário de alta expressiva em um curto período, pode portanto, se tornar nada mais que uma bolha especulativa. Ou seja, os papéis se valorizam consideravelmente, porém os setores não confirmam essa espectativa, e os preços podem ser reajustados, o que geraria uma queda das ações no futuro. O que pode ser feito para mudar essa visão pessimista? Nada mais do que mudar o foco dado para o capital dentro do país (seja internacional ou até mesmo de investidores internos privados): investimento produtivo. Há anos o Brasil possui baixas taxas de cresimento do PIB e altas significativas no mercado acionário, isso porque a abertura comercial na decada de 90, somados aos juros altos que o país oferece desde então, torna nosso mercado muito atrativo para o investimento especulativo.

Apesar de tudo, é plenamente possível alterar esse cenário. O mundo todo reduziu suas taxas de juros consideravelmente, e o Brasil, apesar de ainda possuir uma das mais altas, está em patamares bem abaixo dos últimos anos. Esse fato, somado ao potencial de recuperação econômica deixado pela crise (que supostamente está chegando ao fim), poderia gerar investimento produtivo no país, se houvessem incentivos governamentais para isso. O Estado poderia ser o responsável pela infra estrutura do país, indústrias de base, o que traria grandes benefícios de longo prazo, atraindo ainda mais capital privado, que tem um grande potencial de desenvolvimento em diversos setores estratégicos. Com o surgimento de novas empresas no mercado, ou as que estão aqui recebessem mais investimentos, consequentemente haveria uma maior geração de emprego, maior consumo interno.. chegando no resultado óbvio, um maior aumento do PIB.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pra Frente Brasil! Brasil!

Nesta terça-feira a agência Moody's, como anteriormente já haviam concedido as agências Fitch Ratings e a Standard & Poor's, nos concedeu o patamar inicial considerado para grau de investimento.

A importância deste grau vem em sentido do Brasil ser o primeiro país a receber tal nota após a última crise financeira enfrentada. Nas próprias palavras do titular da agência para a America Latina, Mauro Leos, "a elevação (da nota) reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil"

Desta forma, Leos, classifica o Brasil como uma economia "vencedora" que apresentou grande flexibilidade economica e financeira, tendo apenas uma moderada deterioração dos indicadores de dívida do Estado, enfraquecimento mínimo das reservas internacionais e ausência do estresse financeiro bancário - muito diferente do apresentado por outras economias consideradas fortes e menos vulneráveis que a nacional.

Ainda assim, há uma ressalva importante a ser feita. Neste período o país passou por um grande aumento de sua dívida fiscal - dívida publica. Porém nas palavras do próprio Leo "isso não é grande o suficiente para causar preocupação. A posição oficial do governo é a de retomar balanços primários consistentes com o compromisso de reduzir a dívida pública''.

Não podemos negar que o posicionamento Estatal, como reconhecido pela agência, foi de grande importância para que o país não caisse de cabeça como muitas outras economias do mundo. Ainda assim, parâmetros e diretrizes devem serem tomadas e levadas em conta, principalmente agora, em que o grau de investimento nos foi firmado por mais uma agência de reconhecimento internacional.

O país deve planejar com seriedade os possiveis novos investimentos que serão atraidos para que não cairmos nas mesmas armadilhas do passado e perdemos o controle de nossa própria economia para capitais investidores estrangeiros.