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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

BLOG DA TAS: Professor brasileiro tem o terceiro pior salário do mundo


"Uma pesquisa realizada pela OIT e Unesco avaliou o quadro educacional em 40 países. A situação do Brasil só não é pior do que a dos professores do Peru e Indonésia. Isso reflete diretamente na qualificação e formação profissional. No nordeste somente 51% dos professores tem curso superior completo seguido do Sul 72%, Sudeste 73% e Centro-Oeste 74%, outra estatística lastimável.
Na Bahia e no Maranhão esse número piora, somente 40% possuem formação acadêmica.
IDH: Dos 187 países avaliados o Brasil ocupa 84˚posição no ranking, ficando bem atrás dos nossos vizinhos latinos, Uruguai, Chile e Argentina. A Russia ocupa o 66˚ lugar, importante dado comparativo já que é um país tão populoso e emergente quanto o nosso." BLOG TAS

sábado, 23 de outubro de 2010

Eleições Brasil - Eua: Uma análise simbiótica.


Para aqueles que se surpreenderam com a efetivação ao cargo de deputado federal, pelo Estado de São Paulo, de Francisco Everaldo Oliveira Silva em nosso processo democrático tão justo, igualitário, modelo de ordem e “progresso” as nações civilizadas... Os nossos “queridos” amigos do Norte não me parecem estar em melhor perspectiva dado que no dia 2 de novembro de 2010, os estadunidenses vão às urnas para elegerem senadores, deputados e governadores para 37 estados da “abençoada” República federativa. Tendo como pressuposto que estes caros tomaram para si a missão messiânica de levar a todos os continentes do Globo “o sonho americano”, que é definido por Immanuel Wallerstein como:

“O sonho americano é o sonho da possibilidade humana, em que todas as pessoas possam ser encorajadas a fazer o seu melhor, a alcançar o seu máximo e a ter a recompensa de uma vida confortável. É o sonho de que não haverá obstáculos artificiais no caminho dessa realização individual. É o sonho de que a soma dessas conquistas individuais é um grande bem estar social – uma sociedade de liberdade, igualdade e solidariedade. É o sonho de que somos um farol para o mundo que sofre por não concretizar este sonho.”

Cabe-nos então, averiguar como o “farol para o mundo” está realizando a disputa democrática para o cargo de governador. Pois bem, comecemos pelos candidatos a disputa pelo estado da Califórnia:

“Na Califórnia, o candidato democrata Jerry Brown disputa com a republicana, Meg Whitman. Bilionária, ela decolou nas pesquisas, prometendo cortar impostos dos mais ricos. Mas a campanha foi abalada com a denúncia de que ela contratou como babá uma imigrante ilegal. É o escândalo babágate.”

Em Nova Iorque:

“O candidato republicano Carl Paladino faz uma cruzada contra os homossexuais: "Não quero que as crianças pensem que ser gay é uma opção correta", ele disse. E criticou o adversário, o democrata Andrew Cuomo, por ele ter levado as filhas para assistir à parada gay de Nova York. ”

E assim sucessivamente diante dos 37 estados em processo... A questão curiosa que estes pequenos exemplos nos comprovam e nos levam a refletir é: até que ponto o processo democrático é realmente democrático? Ou... a disputa por um cargo a governador de um estado, a deputado federal deste e tantos outros em questão não servem apenas para atender interesses privados onde novamente o público fica relegado ao segundo plano?

Entre tantas pesquisas e campanhas o fato cada vez mais corriqueiro e permutado de normal é a institucionalização do mercado a nível público, ou em outros termos, a regularização do balcão de negócios travestido de Estado. O espantoso é que ainda tentem encontrar a linha “demarcatória” desses dois conceitos que na realidade não somente se confundem como sequer se dividem, ao contrário mesclam-se , fundem-se e apresentam-se como democráticos e produtos de uma sociedade democrática. Democracia esta que insistem em levar ao mundo mediante guerras, que é claro que é um instrumento muito democrático...

Diante dessas produções pitorescas que o universo político reflete torna-se cada vez mais evidente o universo que a sociedade produz e irradia como modelo real a ser seguido. E torna-se óbvio o porquê nós brasileiros somos os bons “imitadores” da arte de copiar o que de melhor é produzido no sistema-mundo para continuarmos avançando em meio a “(des) ordem e o progresso (?!)”. Assim, não poderíamos perder esse bonde! E estamos no caminho certo dado que a disputa presidencial não deixa sequer uma gafe neste conjunto de etiquetas onde o predomínio da agressividade e violência se faz regra! O que nenhuma analista atenta, no entanto, são para os indicadores da bolsa econômica que sobem e descem a cada declaração por parte dos petistas ou tucanos, a luz é tão clara que chega a cegar! Enquanto o transtorno confundido com disputa política manifesta a caricatura e pobreza de espírito do nosso sistema democrático, o mercado econômico sequer descansa e apenas espera o momento de poder “capitalizar” mais uma fatia dos recursos que ainda se perguntam onde é que fica o caminho para o público...

Retomando ainda Wallerstein: “Contudo, para compreendermos o mundo em que vivemos, temos que ir além dos sonhos, de modo a lançar um olhar atento à nossa história (...)”

A história que vivemos hoje é a história do mercado privado. A política que temos hoje é a política que tomou como exemplo a suposta nação mais rica do universo. Porém, mais rica para quem? O questionamento que nos resta é saber até quando o privado permitirá que o público exista... E se o faz qual é o lado que ocupamos? A privatização do Estado já é um fato consumado. E não está longe o tempo em que este fato será institucionalizado... É só prestar a atenção e ver ao invés de crer!

Referências Bibliográficas:

Wallerstein, I: O Declínio Do Poder Americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/10/campanha-para-governador-nos-eua-revela-candidatos-polemicos.html


Gostou? Que tal valorizar nosso trabalho?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Plano Collor

Plano Collor

A teoria do plano econômico foi desenvolvida pelo economista Antônio Kandir. O plano efetivamente implementado foi desenvolvido pelos economistas Zélia Cardoso de Mello, Antônio Kandir, Ibrahim Eris, Venilton Tadini, Luís Otávio da Motta Veiga, Eduardo Teixeira e João Maia.O plano Collor combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação. As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização, mais conhecido como PND.O Plano Collor é o nome dado ao conjunto de reformas econômicas e planos para estabilização da inflação criados durante a presidência de Fernando Collor de Mello (1990-1992), sendo o plano estendido até 31 de julho de 1993. O plano era oficialmente chamado Plano Brasil Novo, mas ele se tornou associado fortemente a figura de Collor, e "Plano Collor" se tornou nome de fato.


Três planos separados para estabilização da inflação foram implementados durante os dois anos do governo Collor. Os dois primeiros, Plano Collor I e II, foram encabeçados pela ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello. Em maio de 1991, Zélia foi substituída por Marcílio Marques Moreira, que instituiu um plano homônimo, o Plano Marcílio .


O Brasil sofreu por vários anos com a hiperinflação: em 1989, o ano antes da posse de Collor, a média mensal da inflação foi de 28,94%. O Plano Collor procurava estabilizar a inflação pelo "congelamento" do passivo público (tal como o débito interno)e restringindo o fluxo de dinheiro para parar a inflação inercial.


A rápida e descontrolada remonetização da economia é tida como a causa das falhas dos planos de estabilização da inflação adotados anteriormente. O governo Collor teria de garantir uma remonetização "ordenada" e "lenta", a fim de manter a inflação para baixo. Para o controle da velocidade da remonetização, poder-se-ia utilizar uma combinação de ferramentas econômicas, tais como impostos, taxas de câmbio, crédito e taxas de juros.

Nos poucos meses que sucederam o a implantação do plano, a inflação continuou a crescer. Em janeiro de 1991, nove meses após o início do plano, a inflação reduziu, atingindo a taxa de 20% por mês.


O congelamento causou uma forte redução no comércio e da produção industrial. Com a redução da geração de dinheiro de 30% para 9% do PIB, a taxa de inflação caiu de 81% em março para 9% em junho. O governo enfrentou duas escolhas: eles poderiam segurar o congelamento e arriscar uma recessão devido a redução dos ativos, ou remonetizar a economia através do descongelamento e correr o risco do retorno da inflação


O fracasso do Plano Collor I no controle da inflação é creditado pelos economistas keynesianos e monetaristas a falha do governo Collor de controlar a remonetização da economia. O governo abriu várias "brechas" que contribuíram para o aumento do fluxo de dinheiro: os impostos e as contas do governo emitidos antes do congelamento podem ser pago com o velho Cruzado, criando uma forma de "brecha de liquidez", que foi plenamente explorada pelo setor privado.Várias exceções aos setores individuais da economia foram abertas pelo governo, como nas poupanças de aposentados, e o "financiamento especial" na a folha de pagamento do governo.

Por último, o governo foi incapaz de reduzir despesas, reduzindo sua capacidade de usar muitas das ferramentas acima mencionadas. Os motivos vão desde o aumento do compartilhamento da receita de impostos federais com os estados até a cláusula de "estabilidade de emprego" para os funcionários públicos da Constituição brasileira de 1988, que preveniu o tamanho da redução tal como anunciada no começo do plano. Estes economistas vindicados como Bresser Pereira e Mário Henrique Simonsen, ambos os ex-ministros das Finanças, que tinha previsto no início do plano que a situação fiscal do governo, tornaria impossível para o plano de trabalho.


Segundo o acadêmico Carlos Eduardo Carvalho, Professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a medida política executada pelo Governo Collor, que ficou conhecida como confisco, não fazia parte, originalmente, do Plano Collor e tem origens num consenso entre os candidatos à presidência da época: Fernando Collor de Mello, Ulysses Guimarães e Luís Inácio Lula da Silva. O confisco já era um tema em debate entre os candidatos à eleição presidencial: A gênese do Plano Collor, ou seja, como e quando foi formatado o programa propriamente dito, desenvolveu-se na assessoria de Collor a partir do final de dezembro de 1989, depois da vitória no segundo turno. O desenho final foi provavelmente muito influenciado por um documento discutido na assessoria do candidato do PMDB, Ulysses Guimarães, e depois na assessoria do candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, entre o primeiro turno e o segundo. Apesar das diferenças nas estratégias econômicas gerais, as candidaturas que se enfrentavam em meio à forte aceleração da alta dos preços, submetidas aos riscos de hiperinflação aberta no segundo semestre de 1989, não tinham políticas de estabilização próprias. A proposta de bloqueio teve origem no debate acadêmico e se impôs às principais candidaturas presidenciais. Quando ficou claro o esvaziamento da campanha de Ulysses, a proposta foi levada para a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do PT, obteve grande apoio por parte de sua assessoria econômica e chegou à equipe de Zélia depois do segundo turno, realizado em 17 de dezembro.


O plano foi anunciado em 16 de março de 1990, um dia após a posse de Collor.Suas políticas planejadas incluíam:

  • 80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano.
  • Substituição da moeda corrente, o Cruzado Novo, pelo Cruzeiro à razão de NCz$ 1,00 = Cr$ 1,00
  • Criação do um imposto extraordinário e único sobre as operações financeiras, sobre todos os ativos financeiros, transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança.
  • Foram congelados preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes que eram baseados na inflação esperada.
  • Eliminação de vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas.
  • Indexação imediata dos impostos aplicados no dia posterior a transação, seguindo a inflação do período.
  • Aumento de preços dos serviços públicos. Gás, Eletricidade, serviços postais, etc.
  • Liberação do câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira em relação à concorrência externa.
  • Extinção de vários institutos governamentais e anúncio de intenção do governo de demitir cerca de 360 mil funcionários públicos, com plano para redução de mais de 300 milhões em gasto administrativos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O BLOG DE ADRIANA VANDONI ESTÁ CENSURADO POR ORDEM JUDICIAL!


TEXTO CENSURADO PELO GOVERNO LULA


O Blog: Os Novos Pensadores acredita sempre que a opinião deve ser respeitada e na liberdade de impressa. dessa forma publicamos aqui o texto censurado de Adriana Vandoni


Publicado por
Adriana Vandoni


Já tivemos presidentes para todos os gostos, ditatorial, democrático, neo-liberal e até presidente bossa nova.


Mas nunca tivemos um vendedor de ilusão como o atual.

Também nunca tivemos uma propaganda à moda de Goebbels no Brasil como agora.
O lema de Goebbels era uma mentira repetida várias vezes, se tornará uma verdade.

O povo, no sentido coletivo, vive em um jardim de infância permanente.

Vejamos alguns dados vendidos pelo ilusionista.

O governo atual diz que pagou a divida externa, mas hoje, ela está em 230 bilhões de dólares.
Você sabia ou não quer saber?

A pergunta é: pagou?

Quitou?

Saldou?
Não.

Mas uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade.

Pagamos sim, ao FMI, 5 bilhões de dólares, o que portanto mostra apenas quão distante estamos do que é pregado para o povo.

Nossa dívida interna saltou de 650 bilhões de reais em 2003, para 1 trilhão e 600 bilhões de reais hoje, e a nossa arrecadação em 2003 ano da posse do ilusionista que foi de 340 bilhões, em 2008 foi de 1 trilhão e 24 bilhões de reais.

Este ano a arrecadação caiu 1% e, olhem bem, as despesas aumentaram 16,5%.
Mas esses dados são empurrados para debaixo do tapete.

Enquanto isso os petralhas estão todos de bem com a vida, pois somente com nomeação já foram 108 mil, isso sem contar as 60 mil nomeações para cargos de comissão.
É o aparelhamento do Estado.

Enquanto isso os gastos com infra-esturutra só subiram apenas 1%, já as despesas com os companheiros subiram para mais de 70%.

Como um país pode crescer sem em infra-estrutura, sendo essa inclusive a parte que caberia ao governo?

O PT vai muito bem, os companheiros estão todos muito bem situados, todos, portanto, estão fora da marolinha, mas nos outros estamos sentindo o peso do Estado petista ineficiente, predador e autoritário.

Nas áreas cruciais em que se esperaria a mão forte e intervencionista do governo, ou seja, na saúde, educação e segurança o que temos são desastres e mais desastres, mortandades.
O governo Lula que fala tanto em cotas raciais para a educação, basta dizer que entre as 100 melhores universidades do mundo, o Brasil passa longe.

Já os Estados Unidos (eta capitalismo) possuem 20 universidades que estão entre as 100 melhores.

O Brasil não aparece com nenhuma...

São números.

O governo Lula também desfralda a bandeira da reforma agrária.

O governo anterior fez mais pela reforma agrária que o PT, mas claro, esses números não interessam.

Na verdade não deveriam interessar mesmo.

Basta dizer que reforma agrária é mais falácia do que coisa concreta em beneficio da sociedade.

Se querem saber, em todos os países onde houve reforma agrária, logo em seguida eles se tornaram países importadores de alimento.

A ex-URSS, Cuba e China são exemplos claros do que estou afirmando.
Mas continuamos com o discurso de reforma agrária.

A URSS quando Stalin coletivizou a terra, passou a ser importadora de alimento e consequentemente a ser um dos responsáveis pelo aumento do preço do alimento no mundo.
Entendam.

Cuba antes da comunização com Fidel, produzia 12 milhões de toneladas de açúcar do mundo, hoje não produz nem 2 milhões.

A Venezuela tão admirada por Lula produzia 4 mil quilos de feijão por hectares, depois da reforma agrária praticada pelo coronel Hugo Chaves só produz 500 kg por hectares.

Mas os socialistas não sabem nem querem saber dessas questões, o trabalho que dá para produzir, para gerar alimentos, isso porque eles tem a sociedade para lhes pagar o salário, as contas e as mordomias, além de dinheiro do contribuinte para colocar comida na sua mesa.

Mas eles não sabem nem querem saber sobre o que é produzir, cultivar, plantar alimentos.

Pois bem, os companheiros acreditam nos milagres da reforma agrária.

Dizem que estão mudando o país.

É para gargalhar.

Agora incrível, e hoje está mais do que comprovado, que a diminuição dos impostos nos setores de eletrodoméstico fez o comércio e indústria neste setor produzir e vender mais.
O aquecimento na venda de carros também surtiu efeito com a redução de impostos.
O que fica definitivamente comprovado que imposto nesse país é um empecilho ao progresso e ao desenvolvimento.

Mas o discurso dos petistas é outro.

Ou seja, uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade.

É o ilusionismo de Lula.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sobre Crianças, armas, política e poder.


Há muito tempo o mundo vem testemunhando diversos conflitos e guerras que eclodem a todo momento em todas as partes. Ondas de violência são temas constantes nas pautas jornalísticas todos os dias. O grande diferencial dos conflitos atuais, no entanto, é um hercúlio número de crianças envolvidas. Cerca de 300 mil são “utilizadas”, em mais de 60 países, em forças governamentais e em grupos paramilitares e rebeldes. Essas crianças-soldado atuam como mensageiros, espiões ou como escravos sexuais.

Chocados diante de tal fato, a Anistia Internacional, numa parceria com a ONU e a Unicef, criou, em 1999, um protocolo que proíbe o uso de menores de 18 anos em conflitos armados mundo afora. O que se vê, porém, é um descaso total para com este documento e a crescente participação dessas crianças nos conflitos.

O que ou quem são elas?

Não há como defini-las como seres humanos quando são tratadas como objetos, descartáveis e de fácil acesso e reposição. Na África, por exemplo, uma forma fácil de alistar crianças é por meio de seqüestros em aldeias e cidades. Em outros casos, os próprios pais submetem seus filhos à condição de soldado, pois é preciso garantir a “sobrevivência da aldeia”. Há ainda aquelas, cujos pais foram mortos ou lares destruídos, que são acolhidas por grupos militares dos quais recebem proteção e alimentação.

Em uma passagem do livro “Muito Longe de Casa”, o autor Ishmael Beah, sobrevivente da guerra civil de Serra Leoa e ex-menino soldado, relata que ele e um grupo de seis amigos fugiam da guerra e vagavam pelas aldeias, onde foram por muitas vezes recepcionados de maneira hostil, até que chegaram mortos de fome e cansaço a uma aldeia controlada pelo governo e decidiram se alistar ao exército, em busca de alimento, “segurança” e drogas (Brown-brow, maconha, e anfetaminas), que eram utilizadas para mante-los acordados e sempre prontos para a guerra.

Já em algumas regiões da Ásia, somam-se a essas formas questões culturais. Em Myanmar e no Nepal, muitos jovens são incentivados por religiosos a agir contra os governos. Isto também ocorre no Oriente Médio, onde crianças são usadas como crianças-bomba. Já na Chechênia e em Kosovo, crianças se alistam por força de vontade após serem massacradas durante anos nas denominadas limpezas étnicas. Nestas áreas as crianças são utilizadas, em atos de espionagem, deter, receber e esconder armas.

Outro fator determinante para o assédio e escolha de crianças pelos grupos beligerantes é o de serem consideradas “invisíveis”. Como são pequenas, são quase sempre imperceptíveis quando rastejam por trás do mato ou construções. Além disso, comem e se queixam menos que um adulto. Há também relatos de que as crianças-soldado são mais responsáveis e obedientes à hierarquia. Muitas delas, contudo, são punidas com a destruição de sua aldeia quando desertam, ou mutiladas, quando pegas.

Muitos associam essas crianças às brasileiras, que travam guerras diárias movidas pelo tráfico. Mas é importante ressaltar que crianças-soldado são aquelas que participam de conflitos bélicos com fins políticos, em grupos governamentais ou rebeldes, como já acontece há milhares de anos, desde os conflitos tribais por terras e ou comida.

Papel na história mundial

Casos de civilizações famosas como Esparta são comuns na Antigüidade, onde desde os sete anos, as crianças recebiam árduo treinamento militar. Nesta época também era costume jovens da região do mediterrâneo serem usados como escudeiros. Exemplos bíblicos como David, escudeiro do rei Saul, ou mitológicos, como Hércules e Hylas, também podem ser citados.

Os romanos também eram adeptos do uso crianças em guerras e foram os primeiros a perceber, com Plutarco, o quão cruel era está prática. Foram, por isso, os primeiros a criar uma norma jurídica de combate a essas ações, segundo a qual, as crianças deveriam ter no mínimo 16 anos para ingressar no exército.

Avançando alguns anos na história, em 1212, temos como um dos fatos mais marcantes, entre fábulas e realidades, a “Cruzada dos meninos”, na qual um grupo de crianças, conduzido pelo pastor Stephen de Cloyes, foi massacrado na tentativa de tomada da Terra Santa. Ainda na Idade Média era comum o uso de crianças de 12 anos como auxiliares militares (“squires”).

É possível encontrar ainda relatos de crianças-soldado em batalhas como a de Waterloo, tanto no lado inglês quanto no lado francês, ou na Guerra do Paraguai, na qual crianças eram conhecidas como “Voluntários da Pátria”. Neste caso o alistamento consistia em obrigar todos os aptos a empunhar uma baioneta a servir o exército, não importando o fato de serem crianças ou não. Assim, pela facilidade de reposição, estes pequenos “heróis” eram utilizados para os trabalhos mais perigosos, como carregar pólvora e municiar canhões.

Outro famoso caso “tupiniquim” é ilustrado pelo patrono do exército brasileiro. Aceito aos cinco anos como cadete e aos quinze já pertencente à Academia Real Militar, Duque de Caxias, deixou a instituição como tenente. Contemporâneo a este período, mas vivendo do outro lado do mundo, Qzar Nicolau assinou uma lei, em 1827, de acordo com a qual todos os rapazes judeus conhecidos como “cantonistas” foram forçados a servir o exército russo.

As Guerras Mundiais foram marcadas principalmente pelo uso de crianças na resistência por serem pequenas, ágeis e de fácil penetração nas cidades destruídas. Na Primeira Guerra Mundial, uma onda de patriotismo dominou o cenário mundial e arrastou meninos a partir de 13 anos aos cenários de combate. Incentivados pela marinha inglesa e pela infantaria real, lutaram em diversas batalhas, como a de “Loos” e Somme”.

Já na Segunda Guerra as crianças eram usadas com mais frequência pelas forças regulares do exército, tanto do lado do eixo, na juventude de Hitler (Hitlerjugend), como do lado dos aliados, em que órfãos da União Soviética iam direto dos orfanatos ou das ruas para o exército vermelho. Essas crianças ficaram conhecidas como “filhos do Regimento”. Seguindo esta linha, muitas outras forças como a de Szare Szeregi, na Polônia, usaram jovens de 16 e 17 anos em seus campos de batalha, onde crianças-soldado viveram obscuramente entre guetos judaicos ou cidades destruídas.

Nas guerras “contemporâneas”, como a do Vietnã, os Vietgongs usavam notoriamente crianças-soldado em áreas de conflito e como carregadores. Nesta região há ainda o Camboja e o Laos, onde o Khmer Vermelho treinava e utilizava batalhões inteiros composto somente por crianças.

Atualmente a situação é mais crítica na África. Cerca de 100 mil jovens de ambos os sexos são usados em sangrentas e cruéis guerras pelo poder. Mas o problema não se restringe ao continente africano, infelizmente. Em países da América Latina como Colômbia, Bolívia, Haiti e Peru, bem como em muitos países da Ásia como Myanmar, Nepal e China, também existem crianças-soldado.

É valido ressaltar que há uma visão equivocada sobre as crianças-soldado. Há um mito de que somente países subdesenvolvidos utilizam-se de tal força militar. Porém, sempre é esquecido o fato de que países como a Inglaterra aceitam jovens a partir de 16 anos em seu contingente militar, e que os Estados Unidos usaram jovens de 17 anos na guerra do Iraque. A visão de que estes fatos só ocorrem em países pobres é, portanto, errada e percebe-se que crianças-soldado existem nos cinco continentes. Assim então nos deparamos com uma curiosa hipocrisia, em que os países desenvolvidos que sempre questionaram a utilização destas crianças acabam por colaborar com as estatísticas.

Organizações de combate

É cada vez mais perceptível a força das ONGs e organizações públicas no combate a esta atrocidade. Algumas são mundialmente conhecidas, como a UNICEF; outras atuam somente nessa área, como a Coalition to Stop the Use of Child Soldiers”, que é formada pela Anistia Internacional, Defesa de Crianças Internacional, Human Rights Watch, dentre outras.

Anualmente, no dia 12 de fevereiro, ocorre o maior marco de combate a utilização de crianças soldado, o “Red hand day”, ou em tradução livre, “dia da mão vermelha” fazendo uma alusão ao sangue que escorre pelas mãos das crianças submetidas à participação em combates.

No dia 6 de fevereiro de 2007, uma conferência internacional denominada “Free children soldier” teve a adesão de 58 países, os quais se comprometeram a respeitar alguns documentos como o “The commitmentes Paris”, que consiste em um conjunto de princípios legais e operacionais para proteger as crianças soldado do recrutamento. Há também o “Paris Principles”, que é mais detalhado e expõe um vasto conjunto de princípios referentes à proteção dessas crianças. Há ainda a “Coalition to Stop the Use of Child Soldiers”, que promove em vários países programas de desarmamento, desmobilização e reintegração dessas crianças, possibilitando-as a volta às suas respectivas comunidades.

Um desses processos, o de desarmamento, consiste no recolhimento de armas de pequeno calibre ligeiras e pesadas das zonas de conflito, no seu armazenemaneto em local seguro e, posteriormente, na sua destruição, uma vez que as crianças-soldado só exercem suas funções portando armas. No processo de desmobilização é verificada a participação das crianças-soldado nos conflitos armados para que sejam coletadas informações que determinem suas identidades e, com isso, suas famílias sejam encontradas. Essa tarefa é feita tanto em grupos rebeldes, quanto em grupos governamentais.

Em longo prazo o processo visa oferecer às crianças uma alternativa viável para voltarem às suas comunidades e retomarem sua antiga rotina sem maiores seqüelas. A reintegração visa oferecer a elas condições de ensino e apoio econômico de subsistência. Mas a maioria dos projetos deste porte é ameaçada pela falta de doações e de compromisso por parte dos governantes e voluntários para com essas crianças, que estão sendo cada vez mais esquecidas.