segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Apagão - Problema Estrutural


Na última terça feira, 10 de novembro, ocorreu um dos maiores apagões da história do país. O Governo Federal afirmou hoje, que um curto circuito na Usina de Itaipu (que pode ter sido causado pelas fortes chuvas, raios e a mudanças climáticas) tenha gerado todo o problema. Fato é que 18 estados brasileiros ficaram sem energia, além de parte do Paraguai, o que acarretou em problemas como: dificuldade no abastecimento de água; falta de sinal de internet e celular; prejuízos no comércio devido a falta de máquinas de cartão de crédito ou até mesmo perda de produtos; queima de aparelhos eletrônicos, entre outros. Possivelmente o problema em Itaipu tenha sido algo isolado, como afirma o Governo, porém, não se pode negar que o Brasil possui completa falta de infra estrutura no que se diz respeito à geração e transmissão de energia elétrica.

Há décadas se discute o rumo que a geração de energia deve tomar, principalmente após o Apagão ocorrido no início do século. Esse, que teve natureza completamente distinta, já que foi gerado pelo baixo nível de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. O fato fez com que houvesse um racionamento no uso da eletricidade, até que os níveis voltassem ao normal. Os dois apagões mostram como o país é dependente da energia hidrelétrica. Teoricamente essa dependência não é ruim, já que o Brasil possui a maior quantidade de recursos hídricos do mundo. O problema está no fato de utilizarmos apenas 25% desse potencial. Por que não se investe mais nisso? Um dos grandes problemas enfrentados pelos projetos atuais, como o do Rio Madeira é a questão ambiental. A construção de usinas hidrelétricas acarreta em alagamentos de grandes áreas que servirão de reservatórios. Isso destrói a fauna e a flora dos locais, além de mudar o fluxo de rios. Para superar esse empecilho, deveria ser feita uma maior aproximação entre governo e ambientalistas, a fim de melhorar os projetos existentes, para que seja possível a construção de novas usinas, mesmo que possuam potencias menores do que os previstos.

Outras alternativas já foram discutidas no debate. O investimento em usinas termoelétricas, nucleares ou até mesmo em energia eólica pode ser uma alternativa para o país. Porém, todas essas esbarram em problemas. As usinas termoelétricas, por exemplo, apesar de possuírem um custo de construção mais baixo que os da hidrelétrica, trazem altos gastos de operação. Outro problema é que esse tipo de usina funciona a partir da queima de combustíveis, principalmente do gás natural. Além de emitir gases poluentes, atualmente há um problema na obtenção do gás. A Bolívia, que era nossa maior fornecedora, nacionalizou as empresas responsáveis por isso e tem restringido a exportação, além de ter aumentado o preço. A Petrobrás não consegue suprir sozinha a demanda, caso haja a ativação das usinas já existentes ou até mesmo a ampliação delas. Somado a isso, o custo para o consumidor desse tipo de energia é muito maior que o anterior.

A energia nuclear é a mais polêmica do debate, já que gera resíduos tóxicos provenientes do urânio (base do funcionamento). No Brasil existem 2 usinas, Angra I e II, além do projeto de construção de Angra III. Na Europa, esse tipo de energia é muito utilizado, devido inclusive à falta do potencial hidráulico, mas no país, Angra II por exemplo, não produz energia suficiente para abastecer nem a cidade do Rio de Janeiro. Existe um alto custo de implementação e geração de energia nuclear, isso encarece o preço passado ao consumidor também. Especialistas apontam o abandono dessa técnica, citando a Europa como exemplo, que só possui um reator em desenvolvimento. Outra alternativa é a energia eólica, que nada mais é que a geração de energia através do movimento de pás pelo vento. O Brasil produz esse material e o exporta inclusive, porém ele é feito para os padrões de ventos do hemisfério norte. Os problemas desse projeto é que ele tem baixa capacidade de geração e o material é de difícil transporte. Porém, já existem projetos mais modernos nesse sentido.

Concluindo, o Brasil precisa investir no aumento da capacidade de geração energética, já que hoje dependemos da quantidade de chuvas para o preenchimento dos reservatórios. Se obtivermos um crescimento econômico somado a falta de chuvas, com certeza haverão outros apagões. Porém, para que isso seja feito são necessários bons projetos, melhor política de relacionamento com ambientalistas e especialistas na área, para que não seja gasto dinheiro desnecessário, como ocorreu na construção de Angra II.

Para saber mais sobre o assunto, leia o artigo de Luiz Pinguelli, no Scielo: