sábado, 23 de outubro de 2010

Eleições Brasil - Eua: Uma análise simbiótica.


Para aqueles que se surpreenderam com a efetivação ao cargo de deputado federal, pelo Estado de São Paulo, de Francisco Everaldo Oliveira Silva em nosso processo democrático tão justo, igualitário, modelo de ordem e “progresso” as nações civilizadas... Os nossos “queridos” amigos do Norte não me parecem estar em melhor perspectiva dado que no dia 2 de novembro de 2010, os estadunidenses vão às urnas para elegerem senadores, deputados e governadores para 37 estados da “abençoada” República federativa. Tendo como pressuposto que estes caros tomaram para si a missão messiânica de levar a todos os continentes do Globo “o sonho americano”, que é definido por Immanuel Wallerstein como:

“O sonho americano é o sonho da possibilidade humana, em que todas as pessoas possam ser encorajadas a fazer o seu melhor, a alcançar o seu máximo e a ter a recompensa de uma vida confortável. É o sonho de que não haverá obstáculos artificiais no caminho dessa realização individual. É o sonho de que a soma dessas conquistas individuais é um grande bem estar social – uma sociedade de liberdade, igualdade e solidariedade. É o sonho de que somos um farol para o mundo que sofre por não concretizar este sonho.”

Cabe-nos então, averiguar como o “farol para o mundo” está realizando a disputa democrática para o cargo de governador. Pois bem, comecemos pelos candidatos a disputa pelo estado da Califórnia:

“Na Califórnia, o candidato democrata Jerry Brown disputa com a republicana, Meg Whitman. Bilionária, ela decolou nas pesquisas, prometendo cortar impostos dos mais ricos. Mas a campanha foi abalada com a denúncia de que ela contratou como babá uma imigrante ilegal. É o escândalo babágate.”

Em Nova Iorque:

“O candidato republicano Carl Paladino faz uma cruzada contra os homossexuais: "Não quero que as crianças pensem que ser gay é uma opção correta", ele disse. E criticou o adversário, o democrata Andrew Cuomo, por ele ter levado as filhas para assistir à parada gay de Nova York. ”

E assim sucessivamente diante dos 37 estados em processo... A questão curiosa que estes pequenos exemplos nos comprovam e nos levam a refletir é: até que ponto o processo democrático é realmente democrático? Ou... a disputa por um cargo a governador de um estado, a deputado federal deste e tantos outros em questão não servem apenas para atender interesses privados onde novamente o público fica relegado ao segundo plano?

Entre tantas pesquisas e campanhas o fato cada vez mais corriqueiro e permutado de normal é a institucionalização do mercado a nível público, ou em outros termos, a regularização do balcão de negócios travestido de Estado. O espantoso é que ainda tentem encontrar a linha “demarcatória” desses dois conceitos que na realidade não somente se confundem como sequer se dividem, ao contrário mesclam-se , fundem-se e apresentam-se como democráticos e produtos de uma sociedade democrática. Democracia esta que insistem em levar ao mundo mediante guerras, que é claro que é um instrumento muito democrático...

Diante dessas produções pitorescas que o universo político reflete torna-se cada vez mais evidente o universo que a sociedade produz e irradia como modelo real a ser seguido. E torna-se óbvio o porquê nós brasileiros somos os bons “imitadores” da arte de copiar o que de melhor é produzido no sistema-mundo para continuarmos avançando em meio a “(des) ordem e o progresso (?!)”. Assim, não poderíamos perder esse bonde! E estamos no caminho certo dado que a disputa presidencial não deixa sequer uma gafe neste conjunto de etiquetas onde o predomínio da agressividade e violência se faz regra! O que nenhuma analista atenta, no entanto, são para os indicadores da bolsa econômica que sobem e descem a cada declaração por parte dos petistas ou tucanos, a luz é tão clara que chega a cegar! Enquanto o transtorno confundido com disputa política manifesta a caricatura e pobreza de espírito do nosso sistema democrático, o mercado econômico sequer descansa e apenas espera o momento de poder “capitalizar” mais uma fatia dos recursos que ainda se perguntam onde é que fica o caminho para o público...

Retomando ainda Wallerstein: “Contudo, para compreendermos o mundo em que vivemos, temos que ir além dos sonhos, de modo a lançar um olhar atento à nossa história (...)”

A história que vivemos hoje é a história do mercado privado. A política que temos hoje é a política que tomou como exemplo a suposta nação mais rica do universo. Porém, mais rica para quem? O questionamento que nos resta é saber até quando o privado permitirá que o público exista... E se o faz qual é o lado que ocupamos? A privatização do Estado já é um fato consumado. E não está longe o tempo em que este fato será institucionalizado... É só prestar a atenção e ver ao invés de crer!

Referências Bibliográficas:

Wallerstein, I: O Declínio Do Poder Americano. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2010/10/campanha-para-governador-nos-eua-revela-candidatos-polemicos.html


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