segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Apenas um Gasto Militar?


No começo do mês, após uma reunião com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o Brasil anunciou a intenção de compra de 36 aviões de combate GIE Rafaele, produzidos pela Dessault Aviation. A notícia gerou instantâneos comentários, dentro e fora do país. Estados Unidos e Suécia reclamam da preferência pelos caças franceses, frente ao F18 da americana Boeing e o Gripen da sueca SAAB. A licitação se encerraria hoje (foi adiada para dia 02 de outubro), e por enquanto, apenas a França havia entregue uma proposta oficial.


Porém, no Brasil a repercussão é outra. O que mais circulou nos jornais do país foi o valor da aquisição: cerca de 5 bilhões de dólares!! Alguns políticos já começam a organizar um movimento para a instauração de uma CPI fiscalizadora. Críticos discutem onde esse dinheiro seria melhor investido, ou até mesmo se está ocorrendo uma corrida armamentista na América Latina.


Talvez, a falta de transparência, ou até mesmo a forma como foi dada a notícia tenha gerado toda essa propaganda negativa. O presidente Lula, por exemplo, justificou a compra dos caças como forma de defesa das recentes descobertas de petróleo na camada do pré sal, ao invés de salientar as vantagens da compra. Enquanto isso, o misnistro da defesa se preocupava em explicar que a licitação continua, e não há um acordo fechado com a França.


Por isso, seria adequada uma maior discussão sobre o assunto. Primeiramente, não é apenas um acordo de compra de novos caças, e sim a de transferência de tecnologia. O Brasil tenta a compra de 36 caças, 50 helicópteros, 4 submarinos, 1 casco para o submarino nuclear, estaleiros para construí-los, uma base para operá-los, armamento, softwarers. Tudo isso gera novos conhecimentos científicos, que em um futuro próximo pode trazer retorno: O país estará apto para a construção de caças Rafaele, e poderá vende-los para os países da América Latina; A Embraer poderá utilizar tecnologia francesa para seus novos projetos, como o KC-390, aeronave de transporte militar que já gera interesse da própria França, na aquisição de 10 unidades. Sendo assim, fica aberta a discussão, quais os prós e contras nessa história? Será que as críticas estão sendo feitas tomando todos os argumentos como base?