quarta-feira, 27 de maio de 2009

China, EUA, a crise e o resto do mundo


China se industrializou através de altos fluxos de IDEs (Investimentos Diretos Externos) e altíssimos gastos do governo. Beneficiada por um câmbio altamente desvalorizado com relação ao dólar e a praticamente inexistência de leis sobre as propriedades intelectuais e patentes. A transmissão da tecnologia é obrigatória entre as empresas transnacionais e as empresas chinesas. A industria chinesa acresce a números grandiosos, a grande população gera mão de obra barata e mercado consumidor para as empresas que lá se instalam. A exportação fica facilitada devido o fato do câmbio. Os produtos chineses invadem o mundo. A exportação destrói as empresas concorrentes em outros locais, devido o preço baixo. O principal mercado comprador são os EUA. Temos com isso ao olharmos para a industria americana vemos uma forte mudança estrutural. A industria pesada ainda existe, mas hoje em patamares menores. E temos que estas empresas migram principalmente para a China.

Os Estado Unidos é o principal mercado comprador, apoiado em uma política de créditos ao consumo focado no endividamento familiar. Com isso temos um fluxo de dólar EUA à China, e um fluxo de mercadoria China à EUA. Os dólares, por sua vez, serão reinvestidos no mercado financeiro americano, ex: títulos da dívida, ações, fundos entre outras diversas possibilidades. A China cresce a sua produção com o aumento do seu parque industrial. As mercadorias são vendidas e temos um fluxo forte de dólar que faz crescer ainda mais as empresas chinesas. E observamos um endividamento da família americana. A China crescendo trás com ela os paises asiáticos, já que compram produtos secundários, produtos intermediários para composição do produto final, na sua maioria produtos eletrônicos. Aos paises periféricos agro-exportador, como o Brasil, o crescimento da China gera o crescimento das exportações matéria prima, onde o nível de industrialização dos produtos exportados é praticamente inexistente. Há uma tendência a redução do comércio entre os paises Asiático com a China, devido a grande internalização por parte da China, das empresas que vendem produtos secundários. Então o crescimento será menor. Somando a esse fato temos a redução do credito às famílias americanas que já estão altamente endividadas. Temos com isso uma redução do fluxo de mercadoria. Desta forma a redução dos chineses e o do fluxo de dólar. Afetando do crescimento mundial.

A crise atual se dá, devido o “lixo tóxico” do mercado financeiro americano. Que tem como inicio o alto consumo da sociedade americana. As ações referentes aos pacotes de cartão de créditos e hipotecas que perderam o seu valor, já que os consumidores não têm como sanar suas dívidas. Então essas ações que circulavam no mercado financeiro, em enorme quantidade, cerca de 63 trilhões de dólares, devido sua volatilidade, se ve neste período uma intensa desvalorização. Então as seguradoras do mercado financeiro, que asseguram o valor da ação para seus compradores, se vêem endividadas e sem condições de sanar as dividas, já que terão que pagar o valor da ação. Assim como aqueles que emitiram os títulos, já que temos uma queda no mercado imobiliário e as famílias americanas entregam as casas, já que não tem como pagar a hipotecas.

Então observamos o crédito sumir do mercado e a falta de dinheiro no mercado financeiro gera a famosa fuga de capitais para bens mais líquido, ainda intensificado para cobrir os enormes rombos das empresas em seus balanços. A crise passa a ser mundial devido a globalização e a intensa relação comercial EUA – CHINA – Resto do MUNDO. Os mercados financeiros de economias como o Brasil observa o alto fluxo de capital que vai volta para o centro devido às perdas gigantescas.

Hoje as medidas americanas mostram o poder do Estado americano e indo contra os princípios impostos por eles mesmos ao resto do mundo. Medidas liberais que mostram que o Estado pequeno sendo apenas regulador não é realidade. O mercado precisa de um “player”, um apoio constante e só encontra no Estado esse resguardo. A medida mais forte de estatização vista no mundo foi simplesmente o do país mais “liberal” do mundo. Acredito que chegou um excelente momento para repensarmos as formas que tomou a nossa sociedade capitalista. O capitalismo sempre terá seus períodos de crescimento e de recessão, já dizia Keynes. E o Estado deve entrar como atuante nos períodos onde o capitalista perde fôlego, ou seja, nos períodos recessivos.
Autores utilizados:
Keynes, Belluzo e Fiori