quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Céu é o limite



A quantos mil pontos, você leitor, imagina que nossa bolsa de valores, que um dia, ano de 2002, possuía índices na casa dos 8mil pontos e hoje, está em patamares de 60mil pontos, imagina que estará nossa Bovespa nos próximos 5 ou 6 anos? Imagine-se ainda, em um cenário otimista. Índices de 100mil, talvez 150mil pontos parecem razoáveis. Não é o que aponta o economista Ricardo Amorim, presidente da Ricam Consultoria que espera que em 2015 esse índice atinja o patamar de 200 a 250mil pontos. "Estamos vivendo um ciclo muito parecido com o que foi o de 2002 a 2008, que fez a bolsa saltar de 8 mil para 73 mil pontos graças ao 'boom' de commodities", diz Amorin.

O que impulsionou o Brasil neste período foi claramente a valorização das commodities que com preços elevados e com o aparecimento do mercado consumidor chinês a partir do ano de 2001 proporcionou ao país um grande volume de exportações. Esse saldo comercial positivo permitiu que o câmbio se valorizasse e assim o combate a inflação se tornasse mais fácil, permitindo então, como conseqüência, uma queda das taxas de juros.

Ainda que este ciclo tenha sido quebrado com a crise financeira global dos últimos anos, como já apresentado no dia 22 de Setembro no artigo de título "P
ra Frente Brasil! Brasil!", o país se mostrou forte o suficiente sendo um dos primeiros a receber notas de graduação em investimento. Além disso, saindo da recessão técnica, países emergentes voltaram com força total, enquanto para os países desenvolvidos espera-se que haja apenas uma recuperação "medíocre", nas palavras de Amorin.

Esse otimismo se destaca principalmente pelo padrão de consumo que podemos observar neste novo ciclo de crescimento (de hoje até 2015). Anteriormente, países emergentes eram vistos somente como produtor, o que os deixava extremamente vulneráveis as economias desenvolvidas. Hoje, o que se observa é que além de grandes produtores, os emergentes, também estão se tornando grandes consumidores - destaque especial a China e Índia. Deste modo, o consumo deixa de ser de alta renda para o consumo de massas.

No Brasil, o que se pode observar não é diferente de outros países emergentes. Os fortes superávits comerciais devem ser intensificados com a baixa dos juros que por conseqüência gera maior expansão do crédito e assim novos investimentos. "Há uma grande probabilidade de vermos a bolsa caminhar para 200 mil a 250 mil pontos em cinco anos", diz ainda o presidente da Ricam.

Ainda assim, o economista faz uma ressalva dizendo que pode haver realização de lucro no curto prazo, podendo trazer a Bovespa a quedas de 20% nos próximos 3 meses. Ou seja, "No curto prazo, a bolsa brasileira tende a acompanhar o mercado lá fora e isso vale mais para o lado negativo".

Pensando em que realmente exista essa valorização para mais de 200mil pontos da Bovespa, deve se atentar para alguns cuidados que o Estado deve ter ao permitir que o capital internacional entre no país. Como colocado por Fábio Biral em "
Disparidade Econômica" dia 28 de Setembro, deve se ter o cuidado de direcionar este capital financeiro para as empresas produtivas a fim de se evitar possíveis bolhas especulativas que possam levar a economia para uma recessão. Historicamente, na década de 90, o Brasil se tornou um mercado favorável para o capital rentista. Tendo isto então em vista, deve se estudar e planejar possíveis formas de não permitir que este tipo de capital volte a dominar a estrutura de financiamento do país e para que haja investimentos em setores produtivos de modo a transformar a estrutura exportadora de commodities em uma economia que exporte maior valor agregado, sem depender então de apenas uma pauta de exportação e das influências internacionais (como atualmente com o aumento dos preços das commodities).

Podemos ver como possível a expectativa de Ricardo Amorin quanto ao Ibove próximo dos 200 a 250mil pontos. Observando-se e comparando os índices da S&P 500 com o Ibovespa, temos que enquanto o índice da bolsa norte-americana teve um desempenho negativo de 28,58% desde 2000, o brasileiro, no caminho oposto, apresentou uma melhora de 244,43%. Deste modo, "Olhando para o longo prazo, a bolsa ainda está barata." Ainda assim, essas expectativas poderão deixar de serem expectativas e se tornarão realidade apenas com um planejamento e atuação em sentido de direcionamento do capital.
Como já observado na última crise, a idéia de laissez-faire possivelmente não conseguirá se estruturar de modo a fazer o país prosperar tão eficientemente como se projeta para os próximos 5 a 6 anos. A idéia de trazer o índice Bovespa para patamares tão elevados pode fazer com que o país caia na armadilha que originou a crise dos últimos anos, colocando a economia nacional em uma profunda queda e assim repetindo-se o erro do passado, deixando-se dominar pelo capital rentista especulativo.