quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

5ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas


Antes de falar da conferência de Copenhague, gostaria de dividir com os demais leitores do blog! Este texto foi retirado da “Scientific American Brasil”.

Energia e Civilização” por Ulisses Capozzoli

“Até recentemente, talvez por tradição, boa parte dos economistas costumava lamentar o fato de o petróleo ser um recurso finito. A verdade, no entanto, é que se fosse infinito seria ainda pior. Desde meados do século 19, por arte, entre outros, de um físico-químico absolutamente genial, o sueco Svante Arrhenius, sabe-se que o dióxido de carbono é capaz de reter calor atmosférico e, em conseqüência disso, sua maior concentração produziria inevitavelmente elevação das temperaturas globais.

Da mesma forma que sobrevive na Inglaterra uma Sociedade da Terra Plana, gente que duvida da esfericidade do planeta, ha quem ainda pretenda interpretar o aquecimento indiscutível da Terra como fenômeno natural, com o argumento de que isso já ocorreu no passado.

Ocorreu, de fato, mas ao longo de um largo período de tempo e não da forma tão rápida e impactante como acontece agora, é isso que faz toda a diferença.

O efeito estufa, com impacto direto nas mudanças climáticas, caminha rapidamente para se tornar o maior desastre ambiental da história da civilização. Antes disso, cometemos tolices como a destruição do mar de Aral.

A justificativa, que acabou na morte desse mar, foi razoável a princípio: o desvio de dois rios que o alimentavam para aumentar a produção de algodão na ex-União Soviética. As conseqüências, no entanto, hoje custam caro em termos de saúde pública, devastação ambiental e uma diversidade de outros impactos sociais negativos.

No caso do petróleo, identificado como o recurso que sustentou a Segunda Revolução Industrial, com o motor a explosão (a primeira foi assegurada pelo carvão qua abasteceu a maquina a vapor), tanto sua finitude como inviabilidade ambiental sugerem que seu reinado sujo chegou ao fim.

Mas chegou ao fim antes que alternativas a altura estivessem disponíveis para assegurar qualidade de vida a que se habituou a maior parte da população. Ao menos no que ficou conhecido como Ocidente, eufemismo para se referir a Europa e Estados Unidos, deste lado do mundo que compartilhamos.

O que temos pela frente, neste momento, é literalmente uma corrida contra o tempo no esforço de minimizar a deterioração ambiental que ameaça com uma regressão na historia, algo que, antes disso, só se costumava atribuir a um conflito nuclear, ou ao impacto de um bólido celeste: um cometa ou asteróide.

Energia, neste momento, é a palavra que expressa preocupação em boa parte das línguas faladas na Terra. E energia alternativa é o sonho que, aos poucos e a custos, começa a se tornar realidade aqui e ali, refazendo as feições do planeta. Cidades reconstruídas, desperdícios reconsiderados, sistemas energeticamente eficientes e em harmonia com a natureza. Exploração quase reverenciada de fontes que vão das ondas do mar ao fluxo dos ventos, passando pela energia das mares e retorno a energia nuclear, antes identificada apenas com o horror das bombas atômicas. O Grande projeto, em articulação com as fontes alternativas, é a fusão nuclear, a construção e exploração energética de um pequeno sol.”


Este texto traz um tema dos temas que esta em pauta das discussões no mundo. Acontece essa semana em Copenhague, capital da Dinamarca, a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e a 5ª Reunião dos Signatários do Protocolo de Kyoto. Reuniram 192 países participam do encontro que durará 12 dias.O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, em seu discurso afirmou que o aquecimento global é mais grave a cada dia e já afeta diversos países. Ele espera que os países participantes da reunião deixem de lado as divergências e transformem seus discursos em ações enérgicas, e chegar em um acordo efetivo, transitável e admissível a todas as partes.

O secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Yvo De Boer, pediu em seu discurso para que os países tornem reais os resultados já apreendidos em trabalhos anteriores.